sábado, 13 de agosto de 2016

Repeat

Olho à minha volta, vejo peças do mundo a cair: olho à volta, cada problema é um furacão na vida de cada um. Cada erupção é flagrante em qualquer alma, não interessa o quão pequeno esse constrangimento pode parecer ao outro, o que realmente importa é o que se sente.
A dimensão de uma dor, é igual por mais incomparável que seja; a dor é como o amor, não é mensurável.
Mas será que é possível melhorar? Ou esta incerteza manter-se-à para sempre? É o ser humano capaz de perdoar na plenitude ou será isso apenas um trabalho dos deuses?
Quero acreditar que vivo numa situação real mas o passado bem presente torna o trabalho mais difícil.
Tal e qual como eu, este texto vai tornar-se contraditório.

A verdade é que, algo, talvez o sentimento forte que nutro por ti desde o início seja a razão principal para nunca ter saído de forma dramática, deixando os panos descer e o espectáculo acabar.
Acho que foi a piada do primeiro dia e a descontracção dos seguintes; acho que foi o olhar distraído e a mente cheia de pensamentos, muitos deles demasiado desfasados daquilo que é a convivência entre duas pessoas.
Tenho a certeza que foi a visão racional do mundo e o desafio que, automaticamente me propuseste, quando não acreditavas que todas as vidas podem ter realmente um sonho, e que esse sonho não tem que passar necessariamente pelo emprego certo e a carreira de sonho.
Hoje perguntaram-me o que é que vi e continuo a ver em ti e a resposta foi mais fácil do que imaginava. Pensei que depois de tudo, fosse complicado descrever o que sentia e sinto... Mas foi a forma torta de andar, a cara de sono, aquela certeza de quem se levantou cedo demais para saber o que ia vestir e até a forma inequívoca de quem não dava pela minha presença. Algo estava por de trás de ti, lembro-me de pensar que uns olhos tão bonitos conseguiriam com certeza ver coisas que eu não podia ver e que através deles houvesse mais encanto no mundo.
Sim, a palavra certa é encanto, isto porque não sei florear nem rimar mas consigo lembrar-me da música que estava a ouvir da primeira vez que te vi: Fix you dos Coldplay (um cliché que achei engraçado e talvez por isso nunca tenha esquecido) e que à quarta ou quinta vez, depois de ter tentado chamar a tua atenção, perguntei-me se serias tão desengonçado a abraçar como a correr para a sala. Recordo-me de rir por dentro e sorrir para fora, com a certeza que tu não sabias que de ti saía uma luz especial.
Sim, outra palavra certa é especial; por seres especial, ou por não teres nada a ver com nada. E sem expectativas, porque essas já tinham ido no dia em que deixei a cadeira no meio do corredor, deixei-me levar por uma incerteza boa.
E, para mim, tudo se desenrolou de forma simples; gostava de ti, o que é que podia ser complicado?
Mas tive que esperar por ti. Esperar porque achava que podias ser o amor da minha vida mesmo sabendo que podia ser tudo inglório.
Mas não fiquei quieta, as respostas não chegariam se eu não pegasse no telefone várias vezes. Havia algo que eu não podia negar e não podia largar, assim, sem tentar.

E por isto, acho que perdoar não é um trabalho lá de cima, mas sim um trabalho que o amor acaba por conquistar. Perdoa-se porque se tenta chegar mais à frente, acima do céu. Tenho dúvidas que fizesse sentido de outra forma.
Afinal, foram os teus defeitos que colocaram a bold a opção que podias chegar para ficar.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Interferências

Existe um conjunto alargado de variáveis que começam a interferir na nossa equação; duvido que tenhamos culpa destas interferências externas mas ainda assim, elas influenciam a nossa independência a acções.
Sinto que talvez seja a altura certa de resolver e fazer as pazes com o passado, apertar-lhe a mão e seguir a frente mas a verdade é que sei que o passado é muitas vezes forte de mais.
Queres voltar porque sou o teu falhanço pessoal, o teu erro, a pedra no teu sapato e como tu dizes, o amor da tua vida para sempre. 
Na verdade, tenho muitas reticências quanto ao amor da tua vida, tu não podias ter feito aquilo ao amor da tua vida; ao amor da tua vida tu tratas como um jardim, e só queres que cresça. Pelo contrário, tu cortaste-me ainda assim acharias possível crescer comigo, envelhecer comigo.
Acredito, e sei, que comigo era tudo mais fácil; as discussões eram simples e o amor era um acontecimento certo. Voltávamos os dois, umas vezes eu, outras tu, era certeiro. 

Não há nada que reste entre nós, nem o respeito, nem a amizade, perdeu-se tudo, ás seis da tarde de um dia qualquer à três anos atrás, não é justo que pretendas ou faças intenção de voltar. 
Desejar-te boa sorte, uma vida como sempre sonhaste é o único argumento que o meu orgulho permite devolver.
Caí muito, bati com a cara, com as pernas, com as costas e voltei a subir para cair outras vez. subi, e caí vezes sem conta, agindo que cada queda era um novo começo. Escondi as cicatrizes, voltava a subir e a tocar contigo o céu; tarde ou cedo voltavas a tirar-me o tapete. Costumava ver o tempo passar pela tua janela, tentava soprar as sombras do nosso relacionamento e quanto mais via o mundo andar mais vontade tinha de perdoar e esquecer tudo. Olhava-te, com frequência, enquanto dormias; ás vezes odiava-te, questionava-me como é que tu poderias deitar, descansadamente, a cabeça na almofada e noutros tinha a certeza que era contigo que queria ficar e por muito que doesse, eu seguiria firme.
Mas não foi assim tão simples e há sempre um dia e uma hora, em que o corpo se cansa e a palavra desistir torna-se vocabulário essencial. 

Tanta confusão, a certeza que merecia melhor, a indecisão de não saber que caminho escolher e o pronuncio de que não havia futuro. Foi difícil o último dia, o adeus final, o virar de costas sem intenção de voltar. 
A ressaca do nosso amor levou anos a passar, levei anos a apagar-te do meu coração, a juntar os pedaços da minha vida. Hoje, e por culpa, única e exclusivamente, tua tenho uma atitude completamente incorrecta; desconfio do mundo, tento controlar quem está à minha volta, manipulo e testo; volto a manipular e a testar novamente e quanto tu me vens à mente, mais especificamente o mal que me fizeste, torno-me estupidamente arrogante. Sem sentimentos. Fria. 

O tempo é valioso e tem sido ele a amenizar todas estas covariáveis e apesar de guardar muito do aconteceu entre nós, só para mim, vou tentando que quem esteja à minha volta saiba que o que passei foi grave para uma menina, que nada sabia sobre a selva das relações. 



segunda-feira, 2 de maio de 2016

Estamos sentados...  Lá fora ninguém sabe o que se passa dentro de quatro paredes.  As aparências iludem e aquilo que mais ilude é o interior.
Admitir a derrota é sempre difícil,  mais ainda quando ela se torna emergente.
Para alem da derrota, o que dói mais é sentir que podia haver mais futuro no passado.
Hoje,  e agora,  não vale a pena chorar...  Lamentar....  Discutir.  O que vale a pena é seguir em frente,  não descurando dos erros do passado.
Hoje,  tarde mas cedo entendo que sou mais e é mesmo por não querer ser demasiado bondosa que me transformo em má.
Um bocadinho de água,  luzes off e admirar o amanhã.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Choose

Quanto tempo andamos nós à procura da pessoa certa, com aqueles e outros atributos que inventamos na nossa cabeça enquanto imaginamos a perfeição? Perdemos demasiado tempo nessa procura e vamos gozando o prato com as pessoas que, à priori, já sabemos que são as erradas.
Quanto tempo poderíamos nós poupar se apontássemos a seta e, mesmo não acertando no alvo, ficássemos para ver no que dava.
Cada vez se torna mais emergente em mim o término das coisas furtivas e torna-se, também, mais importante o reverso e o regresso às origens.
Hoje senti saudades, saudades de mim em específico e também das coisas que gosto de fazer; olho à minha volta e sinto que nada disto faz sentido, que apenas estou a alimentar uma situação que mais tarde ou mais cedo vai ter que acabar.

São estas conversas com amigos que me fazem querer voltar atrás e optar por ir, uma vez que não se pode amar alguém que não vive da mesma forma. Existe um delay muito grande entre nós e senti-o hoje com mais intensidade.
Troquei duas ou três palavras com alguém que me é muito querido, alguém que faz parte da minha vida à muitos anos e que me conhece bem; senti no discurso dele o meu discurso, os meus anseios, os meus desejos, aquilo que eu queria para mim se pudesse escolher.
Na verdade não posso escolher mas posso desistir de tentar construir algo forte sob o movediço que é a tua vida.

Aquilo que me preocupa é que a minha coragem desvanece cada vez que te vejo..E por hoje, perdi as palavras, perdi a vontade de dizer seja o que for. Acho que preciso de tempo para mim.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

22

Há sempre uma voz pequenina em nós, regula o seu volume consoante a confusão que vai pelo nosso coração; tento calar essa voz com diversas ocupações, faço um esforço para a levar de mim, tão longe quanto possa.
Faltam 30 quilómetros, a minha desilusão vai aumentando e com ela aumento o volume do rádio; tento esquecer a situação, tento arranjar estratégias que me levem a acreditar que é possível e que sou eu que estou enganada. Isso é possível?!
Não acredito em ti, e tenho todo o direito em não acreditar e quanto menos acredito menos gosto de ti; tento agradar-te só para fazer parte do teu desfile mas nada me parece suficiente.
O sentimento vai reduzindo e aquilo que aumenta é a sensação de posse, que não posso ter por ninguém mas que é sempre a última a desvanecer.
Não és o homem da minha vida e eu recuso-me a perder tempo; sabes ainda não o conheço, não sei se é alto, se é baixo, se tem os olhos azuis ou castanhos, se é engraçado ou se não gosta de piadas.  Mas sei que ele deve estar ao meu lado, em todas as situações e deve sempre lutar para ser parte integrante da minha vida.
Não é que tu tenhas muitos defeitos, ou que seja eu muito esquisita mas eu não me importo de te ver ir embora, e já não me importo quando vais sem hora para voltar. Já não me interessa se vens, se ficas, se te deixas ir ou se te perdes. Mais uma vez, não estou apaixonada ao ponto de te pedir para te sentares.

És uma alma livre, sem emoções, sem sentimentos e não sei se saberás algum dia gostar de alguém; pensas que gostas, atrai-te a possibilidade de eu ser inteligente, parecida a ti, gostar de te ouvir e ser ma audiência calada, sorrindo ao teu espectáculo. Eu posso ser isso, mas posso ser muito mais coisas.
Eu sou um camaleão de relações, ajusto-me a todas e tento ser o mais próxima do outro.
Estou próxima de te perder, mas serei eu, mais uma vez, quem te vai entregar à vida novamente; é um desperdício de personalidades pois com toda a certeza existe alguém que gostará de mim exactamente como sou e também haverá alguma mulher que seja tão feel good como tu.

Até aqui, fiz um esforço para te abrir os olhos, para que olhasses para os meus e me desses a garantia de que estás para o que der e vier; dei-te todas as pistas, mas cansa esta luta contra alguém que está a anos luz de mim.
Afaste-te de mim, agora que vais a tempo de não me odiares; afaste-te de mi e fica tu com boas recordações porque eu de ti já não levo nada; deixo que penses que me ensinaste o que sei.
Não me conheces e, infelizmente, já vai tarde para eu voltar atrás e dar-te uma noção de realidade. Este é o preço que eu tenho que pagar por não saber gostar de ti como és; por te querer mudar, constantemente.
Cansei-me de ser eu, a única que tentou mudar alguns dos seus hábitos para te agradar. Tu tinhas que ter acompanhado essa evolução e se não estás disposto a ajustar-te a mim, então também não podes estar para gostar de mim.

Com isto, e porque agora os ventos são de mudança e de alteração, peço-te que não estranhes se eu não atender, se eu não estiver, se eu me for embora sem ti, sem te avisar. Não vou encontrar alguém melhor que tu, nem é meu intuito criar outra relação. Mas a vida tem que avançar e eu sempre ouvi dizer que não nos devemos demorar onde não pudermos amar, e de ti, contigo, por ti, não há mais nada.
Não estranhes, e por favor, não me aches igual a todas as outras... Tarde, muito tarde vais ler este texto e vais perceber que foi feito para ti. Hoje, neste ano em que lês estas palavras, nós já só somos vestígios de uma amizade de faculdade. Lembrarás-te das minhas palavras, conversas intermináveis no opel astra preto; dos meus gritos, das discussões, das desculpas, mas não te vais lembrar porque é que acabou e eu vou pedir-te que faças um esforço e que, nunca mais, faças o que me fizeste a mim.

terça-feira, 19 de abril de 2016

100

Pedes-me para ter calma, dizendo e afirmado repetidamente que nem todos os homens são iguais. Pois eu ia jurar que sim, são todos iguais.
Quando comecei a crescer, queria acreditar que ia conhecer eventualmente o homem da minha vida; um príncipe encantado que iria fazer com que, finalmente, todas as peças encaixassem.
Enquanto olho para ti, e falas sobre o que sentes e não sentes, aquilo que fazes ou não podes fazer, vou vendo o filme atrás de ti. Confiar em ti é uma missão impossível e da qual não te posso por a par.
Dizer-te que não és digno da minha confiança, que te acho completamente indisponível e que és extremamente egoísta seria destruir-te e a minha função aqui não é essa.
Vou dizendo que tu és capaz, que tens muito futuro, e que és fantástico; ainda assim, não confio em ti.

Tenho a certeza que se te dissesse toda a verdade, tu não conseguirias viver com os segredos da minha vida; tu não sabes do que eu sou capaz, do que eu já subi e de onde eu já estive. Tu não sabes o que é viver nesta montanha russa entre a felicidade e a tristeza extrema e eu só sei viver assim.
Ontem, enquanto encarávamos a cidade de longe, quis contar-te tudo, voltar atrás 8 anos e explicar-te o quão perdidamente apaixonada já estive e que se aguentei tudo foi por esse amor inexplicável que senti.

Não, tu não és menos que ele. És diferente. Não te posso magoar da mesma forma.
Eu vivi na fronteira entre o amor e o ódio, onde tudo era possível; onde nada era pecado.
Na verdade, quando eu te digo que doeu muito, que passei por muito, é real mas ainda assim, eu fiz igual... Tão igual que não sei até que ponto sou diferente dele.
Esta situação está a correr mal no sentido em que se mantém, pelo menos da minha parte, as pequenas omissões por não me sentir segura. Acho que foi assim com ele... Quando deixei de me sentir segura, foi o fim, a subida à dança demoníaca de quem tem um vício. E eu tinha, e esse vício foi ele...

Hoje, se fechar os olhos, consigo voltar lá, a todas as lágrimas, ao desespero, à falta, ao riso, aos abraços e especialmente aos regressos... Os regressos tinham muito sabor, eu sabia esperar por ele, aceitando que a única experiência que conhecia era aquela.
Sinto que esta cidade me quis dar uma segunda oportunidade e eu não a soube aproveitar.
Tomei decisões importantes nas ultimas horas e eu não te vou deixar sair daqui com o argumento de que a culpa é minha. Da minha desconfiança, ciúme e até paranóia.
Vou deixar -te andar... Sem te preocupar, sem me preocupar. Falando, avaliando, vendo... Quando deres por ti, não vais saber como é que te conseguiste apaixonar outra vez, e depois vais aprender que eu não sou perfeita e que é importante manter os olhos abertos.
Na verdade, tenho a certeza que me vou lembrar de ti, para sempre, como a pessoa mais interessante e parecida comigo; não te vou ter para sempre, e vou tentando amenizar a exponencial de paixão que vou sentido por ti. Vou tentando jogar a lei do desapego que te vou pedindo para me ensinares e quando acordarmos vamos ver que aprendemos muito um com o outro.

Há dias em que não te sinto, há outros que te quero sentir por inteiro... Como te disse, esta minha mania de ter caprichos é um erro e uma armadilha em que vou caindo acompanhada. Nada imediato, nada como as histórias de encantar diziam. Temo que não sejas o meu príncipe, temo até que esses não existam. Voltei a fechar os olhos, voltei a culpá-lo por tudo isto, por mim, por ti, por nós. Culpo-o por não ter ficado, culpo-o por me ter feito apaixonar e agradece-lhe porque se não fosse tudo aquilo eu nunca teria encontrado alguém tão fascinante como tu e que me faz acreditar que é possível mesmo que não confie no teu coração.
E duvido que possa algum dia confiar... Mas tu não vais saber.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Goodbye

Depois desta confusão, desta discussão completamente rotineira, assumo que não sou mulher para ti neste momento. Desculpa, e a palavra desculpa é a única que ecoa na minha cabeça. 
Desculpa por não te saber pedir desculpa, por não saber acreditar, por não saber confiar. Desculpa saber dizer adeus.
Tentei recordar, sentei-me na minha secretária e reli tudo outra vez; cada palavra minha para ele, cada lamentação dele para mim, cada oportunidade minha, cada pedaço de mim que voou.
Eu não era assim, eu nunca fui assim; eu já gostei, sem pensar em mais nada, sem procurar nada, a confiar a 100%; fecharia os meus olhos para ele me guiar, e sem medos daria passos largos. Não consigo fazer o mesmo contigo, nem com ninguém.
A verdade é que tu tens razão; para mim os homens são todos iguais e todos fazem exactamente o mesmo, de forma diferente é certo, mas no fim todos nos irão trair.
Encontrei a resposta que procurei durante tantos anos, e encontrei-a da pior forma, aos berros, a discutir, a voltar ao mesmo sítio, vezes e vezes sem conta.
Interrompendo o teu raciocínio, desrespeitando o teu momento e sorrindo por conseguir, mais uma vez, tirar-te do sério. 

Eu tentei e isso posso jurar-te mas estes refúgios da mente vem ter comigo; estou a falhar, a falhar muito. 
Podes não acreditar, este é o primeiro texto directamente para ti... O primeiro e receio que seja o último. 
Não tens, não mereces, não precisas de tolerar uma dor destas; não faz parte do teu trabalho curares-me desta doença que me foi transmitida pelas milhares de vezes em que bati com a cabeça na parede.
Agradeço a tua paciência, a tua resiliência e vontade de ficar mais um dia para ver o que era; agradeço mas não te posso deixar ficar para sempre nesta esfera.

Acredito, também, que desta vez tu tenhas percebido que não me pertences e que estejas, simplesmente, a tentar encontrar uma boa forma de me o dizeres sem magoar, sem me fazeres chorar porque, sinceramente, sei que nunca o farias.
Por isso, e por tudo, não te culpo se tiveres que ir; fui muito egoísta, só pensei em mim, num flashback de vidas que já não existem. 

Desculpa, nunca terei oportunidade de te o dizer de outra forma que lamento esta solitária em que me transformei, que procura desculpas para um fim dramático. 
E desculpa, por não saber dizer mais nada do que desculpa.

domingo, 10 de abril de 2016

Music

Ontem questionaram-me sobre o meu primeiro amor, como tinha esquecido e se realmente o coração não palpitava quando o via.
O meu primeiro amor é sempre uma história muito longa, porque o meu foi o único e até hoje não me lembro de sentir algo semelhante; passou muito tempo desde a primeira vez que cruzei o meu olhar com o dele. Recordo-me como se fosse hoje, uma noite qualquer, das primeiras da minha vida, um rapaz sem qualquer brilho embeleza o meu olhar quando se faz passar por meu acompanhante. Era um jogo que nós costumávamos ter para conseguirmos entrar na discoteca.
Passei muito tempo sem lhe dar muita importância, era muito nova e lembro-me de ser muito livre, senhora do meu nariz a correr no corta-mato.
Ele insistiu muito, entrou na minha vida, estacionou a nave e ficou foi se mantendo e eu fui gostando, fui me apaixonando. Costumam dizer que esses primeiros amores são imediatos mas no meu caso, eu não dava nada por ele.
Foi no verão que senti pela primeira vez o sabor da paixão e num piscar de olhos estava caída de amores; e assim me mantive por cinco longos anos.
Muita coisa mudou desde então, seguimos caminhos totalmente diferentes como já era de prever pois não tínhamos nem temos os mesmos ideais de vida.

Perguntaram-me se era justo perder tanto tempo com alguém (?!) e eu respondo, com muita certeza, que não foi de todo uma perda de tempo. Eu ganhei tempo com ele, conheci-me e especialmente conheci os limites do outro.
A verdade é que a memória tem uns truques engraçados, ela faz-nos querer que os tempos passados foram bons mas eu ainda guardo situações físicas de que nada foi perfeito, nem se aproximou de tal só que, ainda assim (expliquei eu) quando o vejo, apesar de não sentir borboletas nem palpitações, guardo-o no meu coração como uma pessoa muito especial que parecendo que não acompanhou todas as minhas fases, da inocência, à idade de saltar do armário, ás crises da idade adulta e nunca se queixou em demasia.
Eu também tolerei neuras, incapacidades, faltas de respeito mas eu acho que isso faz parte do primeiro amor... Porque esse primeiro amor não é para sempre, tem os dias contados, é a nossa rampa de lançamento e ai de nós se não o colocarmos num pedestal

"Não te arruinou a vida?" Claro que não. É capaz de ser um fantasma pelas situações menos boas que proporcionou, mas fez-me abrir os olhos e ser mais realista. Perceber que onde há fumo há fogo e que por vezes temos que conduzir de outra forma.
Se fechar os olhos consigo transportar-me para esses tempos, apesar de tudo era muito feliz e sei que o conheço como ninguém. Ainda hoje saberia como agir com ele.

Não resta qualquer tipo de sentimento e por isso o à vontade em falar sobre isto;  não me transtorna porque está cada um onde deve estar. Não tenho pena que não pudéssemos ter ficado amigos, porque não havia amizade por onde andar. Já tínhamos vivido tudo, já tínhamos partilhado e discutido tudo qualquer tipo de amizade iria fazer despoletar amores e ódios antigos. E não, não tenho pena de não lhe falar cada vez que o vejo, quando calhar solta-se um olá desgarrado mas quando a situação não o proporciona acho saudável que viremos o olhar para o lado. "E porquê?" perguntou ela, porque simplesmente não há nada a dizer. E tenho a certeza que ele se lembra de todos os momentos ao meu lado, que nunca se vai esquecer das longas conversas, dos abraços, da discussão acesa, da desconfiança, da partida e do adeus.

"E nunca mais amaste ninguém?", pergunta retórica com resposta curta, Nunca mais amei ninguém, mas também sei que nunca mais estive disponível a amar. Agora encontrei alguém que se parece comigo, apesar da sua visão crua da sociedade somos um casal engraçado mas, tanto quanto sei, o amor é uma construção.

"E foste feliz entretanto?" Claro que fui, tive uma segunda paixão onde senti muito pouco, era mais o companheirismo e as perspectivas de futuro que nos mantinham agarrados àquela certeza. Mais tarde, e como as projecções diriam, não havia futuro nenhum. Hoje estou numa terceira paixão, onde tenho cada vez menos certezas. Ainda assim, quero que os sonhos felizes se tornem realidade e sou hoje uma pessoa mais calma, com menos receio no caminho de uma resolução interior.

"Gostas dele?" Primeiramente é um grande amigo e faço o máximo para também ter esse papel na vida dele, o de uma grande amiga. Dou todos os conselhos que uma amiga devia dar, sem pensar em mim e no meu lugar no seu percurso pois aprendi que não somos nós que o escolhemos.
Mas gosto dele, gosto da sua companhia e principalmente do desafio pessoal em que ele se tornou. Mais do que isso será pura previsão a longo prazo cujos resultados correm o risco de serem pouco precisos por isso vou me deixando levar e a se a vida decidir mudar então apesar do sofrimento inicial já aprendi que é assim que tem de ser.
Na verdade, sinto que se começarmos a entrar na mesma sintonia que isto até pode ser uma cena a a valer, com direito a foguetes e tudo mas se entretanto ele mudar de faixa eu farei pouco para manter.

Não faças mais perguntas, digo eu, para terminar sou eu quem te diz que aprendi a ser eu própria.. A não mudar por ninguém e a ter os meus sempre perto de mim. Aprendi que não se deve ter pressa e que se tivermos calma tudo correrá bem. O bem é sempre um adjectivo, claramente, relativo. E não te preocupes, que essa do primeiro amor vai passar-te e não tarda já olhas para trás e ele é só uma parte da tua vida que, se não fores idiota, nunca vais apagar.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Preparação de um discurso

Existem anos de mudança, meses de transição e dias que nos fazem abrir os olhos; transporto-me para o local onde estava à um ano atrás, tinha encontrado o meu melhor amigo, o melhor ouvinte e a melhor pessoa para passar uma tarde de sol.
Eu soube que o amava desde a primeira vez em que os nossos olhos tocaram, era algo intocável e inimaginável; se existem almas gémeas, nós éramos o protótipo dessa patente. Uma geração que nos diferenciava mas ainda assim tu afastavas todas as minhas teorias complicadas.
Não é que não esteja bem hoje, não é que a companhia não seja a melhor mas as minhas saudades de ti serão eternas.
Tínhamos um vício, um amor por edificar e se tu rapidamente imaginavas a vida ao meu lado hoje eu não sei se mais alguém poderá imaginar; estou feita à tua medida.
Tu apanhaste-me, tiraste-me do chão, fizeste-me voar e responsabilizar-me pelas minhas atitudes; fizeste-me acreditar que era possível amar outra vez e que o somatório de incertezas da vida é que faz dela a equação mais bonita do mundo.
Hoje é tudo muito diferente; fecharam a cortina e eu estou com alguém próximo de mim, da minha imaturidade, dos meus devaneios, do meu stress ainda assim faltas-me tu. É absurdo e injusto pensar assim, mas todas as noites em que fecho os olhos penso o que teria sido se tu tivesses ficado.

Talvez tenhas razão e sim, foi pelo melhor, eu estava a atrasar-te e tu a apressar-me; tu nunca serias totalmente feliz pelo acompanhamento e eu nunca seria inteiramente completa por não ter vivido os erros.
Não me sobra muito de ti, sobra-me a pequena caixa de brilhantes, vermelha como fico quando te vejo e é a recordação mais bonita que tenho; não era um anel, muito menos uma garantia de permanência, era sim um gesto de um amigo que não se esqueceu de mim.
Nunca te dei nada, recordo-me agora, mas sei que ficaste com a inocência, a vida e a alegria das noites dentro do carro a rir até à exaustão.

O que podia ter sido tudo, não foi nada e como costumam dizer é quando mudamos que podemos dar o devido valor ao que tínhamos; estava cansada de ti, dos teus segredos ao meu ouvido, ás tuas chamadas fora de horas, à tua presença constante na minha vida; sentia que precisava de liberdade, de poder escolher qual o caminho a seguir sem o teu olhar de (re)aprovação mas hoje acho que essa tua presença é uma falta constante na minha vida.

"Dá-me um cigarro" e fumávamos durante horas; o primeiro beijo foi mágico, nunca pensei que chegar até aquele dia. Como já disse, tu eras o inatingível, o impossível. Porque é que eu te haveria de ter? Por tantas vezes desisti até que te sentaste ao meu lado e, como se os astros se tivessem alinhado, ficámos até de manhã; até o sol sair pelas nuvens, e nos dizer olá num qualquer dia de Junho.

Acordar contigo, viver o dia contigo, dar-te a mão e sentir que o mundo podia realmente andar mais devagar foi uma sensação única.
Gostava de te abraçar outra vez, talvez a última e pedir-te desculpa entre dentes; talvez virasse as costas logo a seguir, talvez aguardasse pelo consentimento mas eu já avancei.
Dei a oportunidade que nunca te dei a ti; entreguei-me, como nunca me entreguei a ti. Acelerei como nunca acelerei por ti e se isto quer dizer que nunca gostei de ti então as palavras estão erradas porque o sentimento, por ser tão forte, nunca passou.

Foi-me pedido e ordenado que aprendesse a viver sem ti e eu vivi; dizem por aí que nunca se chega a lugar nenhum se deixámos o coração na paragem anterior; na verdade chega-se, chega-se a uma encruzilhada.

Assim, e sem ti, vou avançado sem qualquer certeza; como se não houvesse mês a seguir a este, vou aprendendo a lidar com a tua falta e com outra presença monótona.
Contigo não havia rotina, cada dia era inesperado; se hoje estávamos aqui, amanhã tu podias ter ido sem nunca mais voltar. Era constante a minha ânsia de ti. Esperava-te todos os dias e quando não te esperava, fazia questão de te ter na minha mente, com um riso alto e um sorriso irónico.

Não te posso ter de novo e também não te posso pedir que voltes; no fundo sei que seremos eternamente parte integrante um do outro e, quando olhas para mim na rua, à distância de um olá, eu sinto tudo como se fosse da primeira vez. São sentimentos diferentes, que acho nunca ter experimentado.
Cresço, e vou endireitando as costas e o pescoço como me dizias; tento intercalar a matemática com a sociologia, como aconselhas-te e vou perdendo pontos nesta confusão que te criei. Talvez haja uma luz no final de todas estas discussões e trocas de ideias, mas na verdade nem tu nem eu nos estamos a tornar mais novos.
Tentei, pela última vez, que abrisses os olhos e que visses que estaria aqui para ti, com o mesmo rabo de cavalo e olhar sonhador; fiquei sem palavras, sem formas de te fazer parar. Da última vez não fiquei bem mas fingi que sim e tu nunca voltaste para me dar a mão e foi aí, aqui, que soube que tu não tens intenção de perceber que isto não é mais um teste, um truque ou uma tentativa de saber em que ponto estamos. Eu sei bem em que pontos estamos; tu fazes a mesma vida de solteirão incurável, e eu uma romântica sem prescrição vou lutando por algo maior.

O que é que eu te poderia ter dito? O que é que eu poderia ter feito? Cada palavra ou gesto meu parece que piorou sempre a situação. Talvez tivesses tu que ter dito que sim, que ficavas... São escolhas, eu tentei que pelo menos restasse uma boa amizade. Resolvi-me, sem te perguntar, não me deixaste. E é hora de seguir... sem medos.

domingo, 27 de março de 2016

Past

Fazes uma retrospectiva de vida; o facebook ajuda-te com as memórias diárias. Transporto-me para lá, para o que já foi e não me recordo do que pensava naquela altura.
Andei muito tempo ao sabor do vento; dona de uma liberdade que nem sequer era minha mas na verdade era muito mais feliz.
O conceito de felicidade pode, e deve, mudar ao longo do tempo; crescemos e amadurecemos mas na verdade não acompanhamos o presente.
Neste regresso ao passado lembrei-me de uma pessoa que até vejo com frequência; lembrei-me do quão feliz era ao lado dessa pessoa. Não sei o que é que ele tinha, ainda hoje não sei o que me fez entrar no carro vermelho mas sinto ainda o coração aquecer quando faço curto circuito ás memórias.
A Ana ligou-me no auge do momento nostálgico, enquanto falava com ela e lhe contava as peripécias do dia, lembrei-me de tudo o que passei durante o ano de 2012.
Acho que nunca mais vou voltar àquele lugar mas o Rui Veloso já dizia e bem que não se devia voltar onde já fomos felizes.

"Mais ainda te sentes apaixonada por ele?" questiona a Ana, eu digo-lhe que não, mas que nos momentos em que nos sentimos a descer sem escadas para subir só nos apetece voltar atrás e não deixar ir o que estava tão certo. Digo-lhe, também, que ainda hoje quando olho para ele sinto que devia ter lutado mais, devia ter ficado mais, devia ter-me mostrado mais e, mais do que tudo, devia ter-lhe dito tudo o que sentia.
Estes arrependimentos são normais mas na altura a decisão parecia a mais acertada. Afinal eu não gostava dele, pelo menos não tanto como pensava que tinha que gostar.

Essa é outra, o conceito de gostar altera-se tanto ao longo da nossa vida. Um dia achamos que nunca mais nos vamos apaixonar e uns meses depois caímos de paixão pelo incerto. Eu sou assim.
Não me apaixonei muito, mas quando me apaixonei foi a sério, tão a sério que cometi erros terríveis dos quais me envergonho e acima de tudo quero esquecer.
Os mais velhos costumam dizer que não nos devemos arrepender de nada, e que tudo o que fizemos foi feito por alguma razão eu cá acho que ás vezes não funciona assim. É perfeitamente normal e justo que nos arrependamos pois se tivéssemos pensado sobre as situações, hoje não estaríamos nesta situação.

A Ana obriga-me a ir buscar a minha primeira paixão; é um risco tirar esta caixa, tem muito pó e as memórias não são boas. Foram cinco anos de uma incerteza constante, de medo, de traição, de falsidade e principalmente de falta de amor, pois este não é unilateral ainda assim, tendo em conta as últimas instâncias, percebi que fui mais feliz nesse filme pois aí eu sabia exactamente qual era o meu papel e, o mais importante, é que sabia exactamente aquilo que sentia.
Hoje não sei bem aquilo que tenho, é desfocado e não faz bem à alma. Não devíamos pôr as coisas nestes termos não é, é verdade que não faz sentido tornar tudo tão linear mas a "cena" é que ouvir as mesmas canções vezes e vezes sem conta faz-nos sabe-las de cor.

Por isso, voltando ao presente, não dá para te mudar... Tu nãos sabes nada de mim, eu ouço-te falar e não acredito em nada daquilo que dizes. És o homem gelo e, sinceramente, nesta altura da minha vida eu não tenho que aguentar.

Quando se torna vão falar com alguém ou quando temos que explicar mil vezes o mesmo, então deixa de fazer sentido. Uma relação não se baseia em ensinamentos, em explicações, em discussões... Quero que fiquemos quites, não quero mentir, mas acredito que haja mais futuro no passado e isso está a tornar esta relação numa ralação constante.

O que queres fazer? Eu quero que vás, pela tua vontade e não porque eu te tenha de dizer. O meu papel não é acabar, não forces isso porque assim a novela vai acabar mal e não é suposto.

Decisões

Nos dias que correm, tomar decisões é tão impreterível quanto respirar; ultimamente as minhas decisões são vitais, e delas dependem o rumo da minha vida.
Se, por um lado, ter-te na minha vida preenchia uma lacuna que à muito não era recheada, por outro, é um tormento diário.
Não me transmites qualquer tipo de confiança e duvido de todas as tuas palavras, passos e rumos. Não acredito em ti.
Isso magoa, e não só te destrói a ti como a mim por isso julgo que este caso é tão simples quando como decidimos mudar de emprego: chegamos a uma altura em que não aguentamos mais, os contras são bem mais fortes do que os prós e cada dia é um suplicio. Foi isso que me aconteceu a mim e com toda a coragem do mundo, levantei-me da cadeira e decidi que o contrato terminava.
Contigo não há nada escrito nem apalavrado ainda assim é um desgosto e desilusão.
Estas palavras são duras mas são o reflexo do sentimento; não te posso dizer isto assim e por um lado apetecia-me atirar-te à cara dois ou três devaneios e por-te a andar mas por outro sinto que te devo o mínimo respeito.
São mundos diferentes, é certo mas para além da diferença existe todo um conjunto de variáveis que não nos vão permitir chegar a bom porto,

Hoje chorei, chorei porque sinto que neste momento as minhas decisões me estão a encaminhar para uma estrada que não conhecia com certezas que não existem mas por mais que doa, por mais medo que tenha eu sei que não serei feliz assim.
Será complicada essa conquista pela felicidade? Ou será essa uma jornada impossível de conquistar? Será uma guerra infortuna? Quem és tu? Porque é que entraste na minha vida, assumindo gostares de mim?

Por mais quanto tempo nos estaríamos a enganar? Por mais quantos dias é que tu julgavas que me irias ludibriar com afirmações de amor presente? Chegavas e seria tudo normal. Sim, eu podia fingir isso.
Mas quando encarei o passado, tão perto do presente a reflectir no futuro entendi que o fingimento já me custou muitas emoções e sentimentos. Estou reduzida a um nada que tu não consegues alcançar porque do lado de lá tens tudo.
Eu cheguei para te lembrar que deves optar.

A dor das decisões aos vinte e quatro anos é ferida que nunca sara... Por hoje ficamos assim.

terça-feira, 22 de março de 2016

Simple things

E finjo que está tudo bem; deixo-te acreditar que aceitei a pessoa que és ou o feitio que inventaste. 
Invento-me eu, num outro ser, paralelo ao meu mundo que habita no teu; habito e respiro o mesmo ar que tu. 
Será normal esta falta de saudades? De necessidade de afecto? Ou foste só tu e as tuas acções que deixaram este perigo?
Não ameaço, não exijo, não peço, não grito, não me zango... Controlo o tom de voz e vou sentido que há mais futuro no passado.
Assim é mais fácil, quanto menor a expectativa melhor o voo e eu quero voar alto; conhecendo o meu interior acredito que deixaria tudo por alguém que valesse um minuto da minha vida.
Na verdade nós nunca sabemos quem vale a pena, a experiência dita a teoria da prática e o mais eficaz é deixar o mundo rodar.

Para os realistas como eu, deixar rolar é como fantasiar sobre os processos estocásticos; por isso eu digo-te que sim, que vivo o momento e que deixo andar mas na verdade eu procuro mais. Eu procuro um edificar qualquer coisa por mais efémera que seja. Eu também não tenho certezas, tão pouco posso ter qualquer garantia mas faço por não deixar o chão tremer.

Estamos longe, meu caro e coração que não vê coração que não sente; talvez te lembres de mim, de vez em quando enquanto fazes da tua vida a vida mais interessante de todas. Eu mantenho-me, no mesmo prédio de paredes brancas e portas cinzentas a fazer aquele que é o projecto da minha vida.

Apesar de tudo isto, aceito a derrota de sentir mais do que tu; aceito os sentimentos que me surgem vindos do passado; aceito que não estou bem resolvida.
Sou uma mulher de caprichos e isso nunca te disse; eu olho, acerto o alvo, atiro e venço. É normal em mim. Tantas vezes te vi passar, apesar de andar noutros jogos tinha-te no raio de visão. 
Arrisquei uma primeira vez, caíste na rede como qualquer outro cairia; soubeste andar na mesma linha que eu, aproveitaste as falhas para entrar e eu sabendo à priori como seria, aceitei. 
Se olhares para trás, com muita atenção e com a cabeça no sítio, vais perceber como tenho razão. Fui eu, sempre eu.
Neste sentido não diferes de todos os outros que encaixei no puzzle da minha vida... A única coisa que te faz subir, cem metros acima do meu céu, é que me deixas sem ar e nunca o tinham feito.
Deixas-me a falar sozinha, deixas-me enlouquecer e eu gosto. 

Já amei muito no passado, mais do que vou qualquer dia amar alguém; o passado, por mais negro que seja, assemelha-se sempre a um arco-íris pois ninguém se lembra da chuva quando encara as cores.
Tu estás lá! Estás num bom caminho e quem ficar contigo terá muita sorte mas também muita paciência.
Supostamente essa qualidade/defeito da paciência é a base do meu ser mas sinto que contigo devo ser eu própria de forma a deixar-te escolher o teu caminho.
Julga-te, sente-te como homem da minha vida neste momento... Não estarei com mais ninguém e mesmo quando terminares a nossa relação eu prometo que vou chorar, e vou tentar ficar contigo mais uma vez.

Depois disso eu serei sempre a just words; esperando que o céu negro desapareça e à procura do cavalo branco. A perfeição existe e para cada ser é diferente.
Após tantas tentativas eu nada tenho a pedir-te e por nada me zangarei;estará, sempre que possível, tudo bem... Não há uma conexão legal entre nós e o tiro ao alvo continuará quando souberes que eu sou uma eterna apaixonada que só pede a felicidade.

Eu não sei com quem vou ficar mas sei que o vou escolher de entre todas as outras opções... Estamos perto do fim e sabemos disso. 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Climb

Foi a discussão mais feia que já tive nos últimos três anos; vieste substituir um passado que quis esquecer.
Não tens culpa mas eu vou interferindo na tua vida como só eu sei; felizmente ainda não tiveste essa percepção. Ainda estás verde nesta coisa das relações; não sabes bem por onde começar ou então és um bom actor.
Enquanto nos sentávamos numa mesa onde já me tinha sentado no passado, com a mesma saia verde, pensei se seria possível que isto fosse mais uma coincidência.
Não acreditas no destino, nem que tudo acontece por uma razão forte e enquanto isso desabafas um ser isolado.
Agarras-me na mão, juras que gostas de mim e eu não acredito; sorri de volta para ti, para te dar alguma confiança do meu sentimento por ti mas dou voltas por dentro. É tarde e eu não quero arriscar.
Dás-me o braço, dás-me o corpo e eu sinto falta do coração; atiro-me de corpo e alma para ti, entrego-me mais uma vez porque eu só sei tentar, tentar e tentar sem desistir.

Racionalmente acho que tu és um grande erro, que estou a perder o meu tempo contigo mas a verdade é que quando te chegas perto eu sinto que faz sentido. Não sei se é o idiota do meu coração míope ou se realmente encaixamos.

Dou mil golos seguidos na minha água, fumo três cigarros e tu és um grande cliché. Não me transmites rigorosamente nada quando te atrapalhas; não confio em ti quando estás sem mim mas acredito que gostes de mim. Ou pelo menos da ideia que criaste de mim.

Vais embora, apanhas o primeiro voo para o tempo quente; eu fico, agradeço por teres ido... Não posso continuar neste jogo de poder que não me vai levar a lado nenhum. Ouço a tua voz do lado de lá do telefone, sempre com tão pouca coisa para dizer. Nesses momentos tenho saudade do passado e dou-lhe asas para o futuro.
Nunca perdi tanto assunto como perco contigo;os meus interesses diferem tanto dos teus. Para ti tudo isto será fácil, mais tarde ou mais cedo sabes que o fim vai chegar mas ainda assim, vais -te apercebendo do meu toque de emoção e tentas sublinhar que nada me podes prometer.
Nunca pedi a ninguém promessas e da última vez que me prometeram amar para sempre percebi que seria a pessoa mais infeliz do mundo.
Tento dizer-te que se já esqueci uma vez o amor da minha vida, é mais fácil esquecer uma relação que não se edifica... Subtrais as incertezas e assumes que não sabes estar numa relação. 
Precisarás de ajuda? Penso eu enquanto fazes o ar aborrecido de um menino de dezassete anos que não lhe deram o que queria; já estive aqui, já fiz isto penso eu. Tento arranjar força e alguma coragem para acabar tudo isto... Algo em mim me diz que não.

Não sei viver com prazo de validade, para mim tudo é eterno até que seja o fim. Mas que seja um fim não anunciado.
Não é fácil viver com a pressão da desconfiança, nem tão pouco com o fingimento irreal. Afasto-me, quase a seguir a deixar-te para trás. 
Estou confusa... 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Extra

Fiquei à espera para ver, deixei as horas passar, deixei o mundo continuar a rodar e esperei sentada para ver se chegavas; olhei para a porta de meia em meia hora, respirei fundo sempre que não te via chegar a ti.
A confiança de te querer ver nos olhos desvaneceu-se com a certeza de que não estamos para o mesmo; não estamos preparados para que há de vir. O querer-te, nos meus braços, na minha alma, na minha vida vai diminuindo de intensidade enquanto os dias passam no calendário; sei que vamos ter que ter coragem. Acabar o que nunca começámos...
Sinto que precisas que eu comece o fim; sinto que te tirarei um peso de cima, és demasiado boa pessoa para seres cruel e ires embora.
E por isso lamento, por saber que por de trás de tantas manifestações de amor tenha que ser eu a olhar-te friamente; depois de te olhar sairei fora da zona de perigo, e quando já não te vir mais poderei chorar-te.
Chorar-te porque este fim é definitivo; és diferente de todos os outros por isso. Nunca mais te verei.
E sempre me disseram que quando se faz uma despedida é bom chorar, mesmo que ninguém possa saber o motivo.
Não consideres isto como uma desculpa para poder voltar atrás; não é do meu feitio voltar onde já fui infeliz. Isto é apenas o resultado das inequações.

Conhecerás assim o meu pior lado, aquele em que sou dura comigo e contigo; prometi que não voltaria a incomodar-te com os mesmos assuntos, nem a bater constantemente na mesma tecla. Eu cumpro promessas e se não posso discutir ou argumentar, entendo que o melhor é desistir.

Não se pede amor, sabias? Não se ensina a amar, não se ensina a ter saudades, não se ensina a chegar sem ter horas de partir. Isso sai-nos do coração, quando se gosta.
Não tenho dúvidas que gostes de mim, da ideia que eu te fiz ter do mundo; mas sei que gostar não basta. É preciso mais, é preciso crescer dentro de quatro paredes.

É emergente o fim, porque são dias e dias de uma desilusão disfarçada.

Prometo que te deixarei ficar bem nesta fotografia, e vou retratá-la pelos tempos; já passaram muitas horas e tu não voltaste. Confesso que a esperança ainda fluía dentro do meu coração.
Já passaram muitas horas e tu não vieste e poucas faltam para ires. Quando vieres, não podes pertencer à minha vida.

Vou ter saudades tuas, com certeza. Da tua frieza, do teu não compromisso, da tua alegria e das coisas mais idiotas que sabias de cor. Vou ter saudades deste curto espaço de tempo que me fez tentar encontrar o meio termo.

As probabilidades jogaram contra nós, venceram. A matemática, essa ganha sempre.

Divino será o amor... o meu,

domingo, 13 de março de 2016

Promises

Dá-nos o clique, apesar de sermos constantes pecadores no que toca à santidade do amor, o ser humano, mais especificamente a mulher, tem a ideia inata de se apaixonar.
Há quem diga que é preciso termos sorte, que "ás vezes" nos apaixonamos pelas pessoas certas e outras "vezes" caímos sem saber onde tropeçámos.
Eu cá tinha a ilusão de que só nos apaixonávamos realmente uma vez e que quando fosse seria por aquele, o tal, a perfeição no meio de todas as imperfeições.
Apaixonei-me por ti sem querer, depois de me ter apaixonado duas vezes; primeiro não vi nada em ti, depois vi que tinhas qualquer coisa e quando dei por mim estava a prometer mundos e fundos.
Acho que é isto que se faz quando o coração cega a realidade; tu nunca sentiste o mesmo; dizes-te realista, sabes as leis da gravidade e contas as probabilidades.
Eu sou de matemática mas contigo esqueci-me de todas as variáveis e covariáveis que nos levam a um modelo não significativo, que não pode nunca descrever uma vida.
Digo-te, com a maior das sinceridades que, não sei viver assim... Que me estou a desperdiçar ao teu lado, que eu preciso de amor, de carinho e que esse amor é um trabalho a tempo inteiro.
Eu não preciso de ser o teu part-time, preciso de ser a tua água e não, tu não precisas de ser a precariedade mas sim o sonho tornado realidade.
Digo-te, sentada na mesa de café que nos viu nascer das cinzas, que ficamos por aqui e que não vale a pena continuar numa situação com prazo de validade... A tua reacção é tão gelada como o tempo lá fora. Não sabes lidar com a verdade e eu entendo que não te posso continuar a ensinar nem a dar-te as dicas daquilo que deves fazer; não é esse o meu papel.
Dizes-me que não é um filme e que não estamos aqui para encarnar papeis e eu digo-te que todos nós temos o nosso lugar e temos que saber sair de cena quando o nosso nome já não aparece no guião.
Não sei qual é o teu problema e tento desvendar nas entrelinhas, visualizas tu a desilusão em que te tornaste e observas esse reflexo no meu olhar; prometes tu, agora, que vai ser diferente. Que vais mudar. Que te tornarás presente.
Cumpres os dados em 24h e depois esqueces-te porque não és assim; não é defeito, é quem tu és e eu não te posso mudar; isso não me é permitido.
Estar com alguém é precisar dessa pessoa, é querer ter perto mesmo que se aceite com cortesia quando não é possível; gostar é deixar uma mensagem de voz no telemóvel, contar cada segundo que falta até ao momento em que as duas almas finalmente se juntam no mundo físico.

Deixo-te, portanto, ficar com o sentimento de culpa de vez em quando. Tu agarras esse sentimento, compreendes, aceitas e esqueces depois.
Mantive-me agarrada a esta certeza momentânea de quer seria só um tempo, que serias quem eu estava à espera... À tanto tempo.
Isto não é amor, meu quase-amor. Isto é penar, cada um do seu lado. Eu a sofrer por não seres o que esperava e tu a sofreres por não corresponderes, por não conseguires e a arruinares o cérebro com induções de lembretes que te vou fazendo.
Tentas amanhã outra vez. Eu não te quero deixar tentar, quero deixar-te seguir porque de certeza que existe alguém que te vai aceitar como tu és e alguém que será o que preciso. Não vale a pena desperdiçarmos seres maravilhosos, como eu e tu, em protótipos de relações baseadas em desculpas que se vão acumulando na caixa de entrada.
Não estou na tua lista de prioridades, mas quando dizes que vives o momento deixa-me dizer-te que não, não é isso que tu fazes. Tu alastras situações, arrastas as tuas faltas e falhas e pedes-me que cale a sinceridade por momentos.
Não me calo, valorizo-me. Virar-te as costas agora não é o mais acertado, eu sei. Nunca vou saber o que seria se te tivesse deixado ficar, andar na minha vida. Não sei o que seria se te tivesse deixado ser quem és mas aprendi, uma vez com um velho amigo, que não se pode gostar assim. Não se pode enganar os sentimentos, não se pode calar a solidão com bocados de qualquer coisa.
Aprendi com um velho amigo, também, que não podemos fazer os outros seguir o caminho que nós queremos... Estamos a enganar a vida.

Ainda assim, sei que hoje vais ter uma boa desculpa. Terias até um olhar atencioso enquanto me pedirias mais uma vez desculpa mas a tua vida atarefada entre a universidade e o computador não permitem entradas abruptas e simplesmente tens o cérebro cheio de mais para tomar pílulas de saudade.
Sei que te vais lamentar, telefonar, perguntar como estou e talvez ver um filme durante a semana. Eu vou aceitar as desculpas e manter o combinado, tu vais desmarcar, combinar para outro dia e eu vou aceitar, como até aqui. Não minto, tento não chorar. Acumulo estes fracassos na minha vida e permito, com toda a idiotice que tenho em mim, que me continuem a tratar desta forma.

Olho para a janela, talvez esteja só cansada das promessas não cumpridas. Bates, constantemente, todos os recordes. Não te lamento, não tenho pena, tu vais ter alguém um dia por quem queiras lutar e com quem queiras realmente estar. Vais ter saudades dessa pessoa, vais roer-te por ela não poder estar aí agora. Vais enviar-lhe muitas mensagens, e dizer-lhe todos os dias como gostas dela. Vais ser feliz na falta de liberdade, acredita em mim. Vais sentir-te pleno mesmo que de vez em quando tenhas que te justificar. Sim, tu vais ser completamente feliz...
Eu sou a tua rampa de lançamento, ensinei-te o que precisavas de saber para poderes acompanhar alguém... Agora sou eu quem precisa de mais, muito mais.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Today

Ouço a tua voz, como na primeira vez; a tua voz calma faz soar alto as incertezas, o balanço da vida e a forma irónica como ela te trás a mim.
Tudo se passa à minha frente mais uma vez, sempre pela última vez. Tento seguir em frente, acreditar em outras ideologias, repensar os meus axiomas e aceitar as condições das probabilidades do destino.
Olho o infinito e faço sempre como me ensinaste; desvio-me 90 graus e encaro tudo por outra perspectiva.
És sempre como um filme: perfeito. Tens o final feliz, a segurança, a perseverança, a resiliência e a atitude. Serias com toda a certeza a peça que faltava neste puzzle mas ainda assim foi completamente destruído.
Talvez estejamos em alturas diferentes da vida, talvez nos tivéssemos conhecido na altura errada ou fui simplesmente eu que criei este jogo de renovação constante.
Depois de desligarmos, com o adeus definitivo que nos caracteriza, lamento e choro mais uma vez... E como sempre é a última vez.

Não vais voltar, não só porque trancaste as portas mas também porque eu me esqueci das chaves; ainda que não as volte a procurar sinto que não posso continuar a brincar com os meus sentimentos, nem com os teus, nem com os dela e muito menos com os dele.
O quão injusto será manter esta farsa? Apagaste-me da tua vida, de forma impulsiva... Pressentiste que eu não estava lá, ou que estivesse a dar dez passos para longe de ti. Mas e se realmente eu estivesse lá para ti? Porque é que tu terias fugido? Porque é que tu te foste embora e nunca mais voltaste?
Nunca pensei que te demorasses mas quando vi as horas, entendi que era tarde de mais.. O barco já tinha partido e a última onda rebentado na praia; fugi e mais uma vez, quando ouvi a tua voz, senti que não tinha acabado. Na verdade, nunca te esquecerei mas consigo amenizar a dor da tua falta.
Ás vezes não me lembro de ti, ás vezes não me sais nos cálculos... Acredito e sei que no fundo estou apaixonada e não é por ti. Aquilo que sinto por ti é diferente, é incondicional mas também me faz ser quem não sou.
Está na hora de seguir em frente... Sem medos. Sem olhar para trás.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

!

Eu sou uma daquelas mulheres que tem os seus objectivos mais ou menos definidos; não anseio por mais do que posso ter mas sou a culpada de muitos devaneios associados à forma de ser empírica das relações.
Falta-me capacidade para amar sem medida, talvez por já ter amado de mais; ontem enquanto discutia contigo lembrei-me de todos os passos que dei no passado.
Eu já estive muito apaixonada e gostava que tu soubesses que não é esse o sentimento que jogamos aqui; eu já me perdi de amores e já tentei encontrar significados para tudo. Já percorri todos os caminhos, já disse todas as frases e já cometi todos os erros típicos. Gostava que soubesses que não é disso que falamos aqui.
Ainda que já tenha vivido muitas situações distintas eu escolhi-te a ti. Escolhi que ficasses e escolhi passar horas contigo.
Escolhi-te para dizer olá e tive muito tempo a avaliar cada pedaço do teu ser; andei à tua procura e tive vinte e quatro anos sem ti. Conheci outros olhares, outros sabores, outros toques... Conheci a maturidade da idade adulta, a infantilidade do primeiro amor, o fim trágico mas o inicio de encantar foi contigo.
Quando te vi, pela primeira vez, nos corredores da universidade eu sabia que mais tarde ou mais cedo te ia ter para mim; foi uma questão de anos, enquanto o destino não nos decidiu cruzar eu fui caindo por aí, noutras casas, noutras vidas destruindo-me diariamente.
Na verdade, o mais caótico de tudo isto é que é perfeito para mim só que o ressentimento de portas passadas e fechadas é muito forte.
Desculpa se te comparo e desculpa se, inconscientemente, não sei aproveitar as asas que me dás todos os dias; a liberdade que me fazes ver e a forma dócil como pretendes que eu entenda que não é assim tão mau perder-me.
Talvez não seja para sempre, talvez nem sejas tu o pai dos meus filhos... Mas o quão deprimente pode ser esta ansiedade pelo futuro?  De alguma forma eu e tu colidimos, foste o fim do principio. Salvaste-me de aguas tortas e de uma vida que não era para mim.

Obrigada


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ink

Aceitar que não vai resultar não é tarefa fácil para a mulher apaixonada; para aquela que se digna a esperar, a acreditar e a ser mastro forte na tempestade.
Os dias passam e os segundos transmitem a certeza de que tenho que estar pronta para a derradeira chamada.
"Ana, ambos sabemos que isto não está a funcionar... Tu és uma rapariga impecável e o problema não és tu mas sim eu".
É mais uma queda, penso eu enquanto aceito que não há nada a fazer quando o jogo está perdido; não há palavras que se digam, não há gestos que se façam e no fim das contas resta voltar a colar os pedaços de coração.
Talvez devamos dar mais atenção ao nosso interior, ele tenta avisar-nos mas o amor é cego, surdo e mudo e a ânsia de ter um final feliz é mais forte do que todos os monstros reais que quebram a corda.
Eu avisei-te e avise-me, mutuamente... Sempre soube que os nossos mundos não se cruzavam e tentei, num dos dias que passámos juntos, dizer que o melhor seria ficarmos por aqui.
Perdi a coragem e não sei porque...O céu paro e eu achei que podia ser um sinal para eu ficar e, por um dia não fugir.
Hoje fujo, porque já te deixei tatuar; hoje fujo porque não há nada que eu saiba fazer melhor e enquanto aceito o fim do que começou pequenino acredito e sei que é por um bem maior.
Se não te tivesse deixado entrar nunca saberia o que serias para mim e chegaste até aqui com um motivo forte, fizeste-me ver que é possível recomeçar.
Apesar de não estarmos perdidos no mesmo chão, apesar de não encontrarmos as mesmas palavras sei que foi real e que pela primeira vez, em muitos anos, fui eu própria. Sem máscaras. Sem testes.
Fui eu e os meus medos; eu e as minhas ansiedades; eu e as minhas surpresas; fizeste-me recuar no tempo e só por isso já valeu a pena a queda livre.

Pode não haver lenha para arder mas eu sei que nos guardaremos mutuamente como algo que parecia ser o futuro e que se ficou num presente passado.
Guardo os coldplay e os livros; guardo a inteligência e as discussões sobre situações reais. Arrumo a mochila, arrumo a cabeça.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

(in)decisões

Abraças uma nova aventura, dás o primeiro passo como quem aprende as primeiras letras; tens tudo para dar, sentes dentro de ti que consegues agarrar a oportunidade: ser feliz é um oasis.
Não dás assim tanto pela viagem, consideras dentro de ti que faz sentido mas não é o resultado esperado; vais passando esse caminho e por vezes esqueces a paisagem, a música ou a cor do céu. Deixas de conseguir distinguir o dia da noite, o romance da paixão, a certeza da incerteza e deixas acontecer.
Mas toda a viagem tem paragens, toda a viagem tem saídas e todas as viagens podem ser uma desilusão. A concha que já não está na praia, a geometria alterada do edificio à esquerda que foi distruído o amor da tua vida.
Eu decidi viajar, decidi aceitar a tua mão e fazer maratonas contigo; eu aceitei-te na minha vida, de forma repentina tal como eu não gosto.
De vez em quando sabe bem viver em plenitude, de vez em quando faz bem evaporar os pensamentos e deixa-los desaparecer.
Eu escolhi andar para ti mas por mais que os livros me digam qu estou certa, não consigo deixar de pensar o que teria sido se eu nunca te tivesse deixado entrar? Continuaria arrebatada? Ou a paixão seguiria o seu rumo?
Ainda assim, gosto quando falas de nós como se a minha opinião contasse realmente. Gosto quando não me tentas mudar e fazes de mim a pessoa que sou.
Não há nada a falhar e eu não sei viver assim...E por hoje fujo, não de ti mas sim de mim.