Dá-nos o clique, apesar de sermos constantes pecadores no que toca à santidade do amor, o ser humano, mais especificamente a mulher, tem a ideia inata de se apaixonar.
Há quem diga que é preciso termos sorte, que "ás vezes" nos apaixonamos pelas pessoas certas e outras "vezes" caímos sem saber onde tropeçámos.
Eu cá tinha a ilusão de que só nos apaixonávamos realmente uma vez e que quando fosse seria por aquele, o tal, a perfeição no meio de todas as imperfeições.
Apaixonei-me por ti sem querer, depois de me ter apaixonado duas vezes; primeiro não vi nada em ti, depois vi que tinhas qualquer coisa e quando dei por mim estava a prometer mundos e fundos.
Acho que é isto que se faz quando o coração cega a realidade; tu nunca sentiste o mesmo; dizes-te realista, sabes as leis da gravidade e contas as probabilidades.
Eu sou de matemática mas contigo esqueci-me de todas as variáveis e covariáveis que nos levam a um modelo não significativo, que não pode nunca descrever uma vida.
Digo-te, com a maior das sinceridades que, não sei viver assim... Que me estou a desperdiçar ao teu lado, que eu preciso de amor, de carinho e que esse amor é um trabalho a tempo inteiro.
Eu não preciso de ser o teu part-time, preciso de ser a tua água e não, tu não precisas de ser a precariedade mas sim o sonho tornado realidade.
Digo-te, sentada na mesa de café que nos viu nascer das cinzas, que ficamos por aqui e que não vale a pena continuar numa situação com prazo de validade... A tua reacção é tão gelada como o tempo lá fora. Não sabes lidar com a verdade e eu entendo que não te posso continuar a ensinar nem a dar-te as dicas daquilo que deves fazer; não é esse o meu papel.
Dizes-me que não é um filme e que não estamos aqui para encarnar papeis e eu digo-te que todos nós temos o nosso lugar e temos que saber sair de cena quando o nosso nome já não aparece no guião.
Não sei qual é o teu problema e tento desvendar nas entrelinhas, visualizas tu a desilusão em que te tornaste e observas esse reflexo no meu olhar; prometes tu, agora, que vai ser diferente. Que vais mudar. Que te tornarás presente.
Cumpres os dados em 24h e depois esqueces-te porque não és assim; não é defeito, é quem tu és e eu não te posso mudar; isso não me é permitido.
Estar com alguém é precisar dessa pessoa, é querer ter perto mesmo que se aceite com cortesia quando não é possível; gostar é deixar uma mensagem de voz no telemóvel, contar cada segundo que falta até ao momento em que as duas almas finalmente se juntam no mundo físico.
Deixo-te, portanto, ficar com o sentimento de culpa de vez em quando. Tu agarras esse sentimento, compreendes, aceitas e esqueces depois.
Mantive-me agarrada a esta certeza momentânea de quer seria só um tempo, que serias quem eu estava à espera... À tanto tempo.
Isto não é amor, meu quase-amor. Isto é penar, cada um do seu lado. Eu a sofrer por não seres o que esperava e tu a sofreres por não corresponderes, por não conseguires e a arruinares o cérebro com induções de lembretes que te vou fazendo.
Tentas amanhã outra vez. Eu não te quero deixar tentar, quero deixar-te seguir porque de certeza que existe alguém que te vai aceitar como tu és e alguém que será o que preciso. Não vale a pena desperdiçarmos seres maravilhosos, como eu e tu, em protótipos de relações baseadas em desculpas que se vão acumulando na caixa de entrada.
Não estou na tua lista de prioridades, mas quando dizes que vives o momento deixa-me dizer-te que não, não é isso que tu fazes. Tu alastras situações, arrastas as tuas faltas e falhas e pedes-me que cale a sinceridade por momentos.
Não me calo, valorizo-me. Virar-te as costas agora não é o mais acertado, eu sei. Nunca vou saber o que seria se te tivesse deixado ficar, andar na minha vida. Não sei o que seria se te tivesse deixado ser quem és mas aprendi, uma vez com um velho amigo, que não se pode gostar assim. Não se pode enganar os sentimentos, não se pode calar a solidão com bocados de qualquer coisa.
Aprendi com um velho amigo, também, que não podemos fazer os outros seguir o caminho que nós queremos... Estamos a enganar a vida.
Ainda assim, sei que hoje vais ter uma boa desculpa. Terias até um olhar atencioso enquanto me pedirias mais uma vez desculpa mas a tua vida atarefada entre a universidade e o computador não permitem entradas abruptas e simplesmente tens o cérebro cheio de mais para tomar pílulas de saudade.
Sei que te vais lamentar, telefonar, perguntar como estou e talvez ver um filme durante a semana. Eu vou aceitar as desculpas e manter o combinado, tu vais desmarcar, combinar para outro dia e eu vou aceitar, como até aqui. Não minto, tento não chorar. Acumulo estes fracassos na minha vida e permito, com toda a idiotice que tenho em mim, que me continuem a tratar desta forma.
Olho para a janela, talvez esteja só cansada das promessas não cumpridas. Bates, constantemente, todos os recordes. Não te lamento, não tenho pena, tu vais ter alguém um dia por quem queiras lutar e com quem queiras realmente estar. Vais ter saudades dessa pessoa, vais roer-te por ela não poder estar aí agora. Vais enviar-lhe muitas mensagens, e dizer-lhe todos os dias como gostas dela. Vais ser feliz na falta de liberdade, acredita em mim. Vais sentir-te pleno mesmo que de vez em quando tenhas que te justificar. Sim, tu vais ser completamente feliz...
Eu sou a tua rampa de lançamento, ensinei-te o que precisavas de saber para poderes acompanhar alguém... Agora sou eu quem precisa de mais, muito mais.
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