quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Today

Ouço a tua voz, como na primeira vez; a tua voz calma faz soar alto as incertezas, o balanço da vida e a forma irónica como ela te trás a mim.
Tudo se passa à minha frente mais uma vez, sempre pela última vez. Tento seguir em frente, acreditar em outras ideologias, repensar os meus axiomas e aceitar as condições das probabilidades do destino.
Olho o infinito e faço sempre como me ensinaste; desvio-me 90 graus e encaro tudo por outra perspectiva.
És sempre como um filme: perfeito. Tens o final feliz, a segurança, a perseverança, a resiliência e a atitude. Serias com toda a certeza a peça que faltava neste puzzle mas ainda assim foi completamente destruído.
Talvez estejamos em alturas diferentes da vida, talvez nos tivéssemos conhecido na altura errada ou fui simplesmente eu que criei este jogo de renovação constante.
Depois de desligarmos, com o adeus definitivo que nos caracteriza, lamento e choro mais uma vez... E como sempre é a última vez.

Não vais voltar, não só porque trancaste as portas mas também porque eu me esqueci das chaves; ainda que não as volte a procurar sinto que não posso continuar a brincar com os meus sentimentos, nem com os teus, nem com os dela e muito menos com os dele.
O quão injusto será manter esta farsa? Apagaste-me da tua vida, de forma impulsiva... Pressentiste que eu não estava lá, ou que estivesse a dar dez passos para longe de ti. Mas e se realmente eu estivesse lá para ti? Porque é que tu terias fugido? Porque é que tu te foste embora e nunca mais voltaste?
Nunca pensei que te demorasses mas quando vi as horas, entendi que era tarde de mais.. O barco já tinha partido e a última onda rebentado na praia; fugi e mais uma vez, quando ouvi a tua voz, senti que não tinha acabado. Na verdade, nunca te esquecerei mas consigo amenizar a dor da tua falta.
Ás vezes não me lembro de ti, ás vezes não me sais nos cálculos... Acredito e sei que no fundo estou apaixonada e não é por ti. Aquilo que sinto por ti é diferente, é incondicional mas também me faz ser quem não sou.
Está na hora de seguir em frente... Sem medos. Sem olhar para trás.

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