terça-feira, 26 de abril de 2016

Choose

Quanto tempo andamos nós à procura da pessoa certa, com aqueles e outros atributos que inventamos na nossa cabeça enquanto imaginamos a perfeição? Perdemos demasiado tempo nessa procura e vamos gozando o prato com as pessoas que, à priori, já sabemos que são as erradas.
Quanto tempo poderíamos nós poupar se apontássemos a seta e, mesmo não acertando no alvo, ficássemos para ver no que dava.
Cada vez se torna mais emergente em mim o término das coisas furtivas e torna-se, também, mais importante o reverso e o regresso às origens.
Hoje senti saudades, saudades de mim em específico e também das coisas que gosto de fazer; olho à minha volta e sinto que nada disto faz sentido, que apenas estou a alimentar uma situação que mais tarde ou mais cedo vai ter que acabar.

São estas conversas com amigos que me fazem querer voltar atrás e optar por ir, uma vez que não se pode amar alguém que não vive da mesma forma. Existe um delay muito grande entre nós e senti-o hoje com mais intensidade.
Troquei duas ou três palavras com alguém que me é muito querido, alguém que faz parte da minha vida à muitos anos e que me conhece bem; senti no discurso dele o meu discurso, os meus anseios, os meus desejos, aquilo que eu queria para mim se pudesse escolher.
Na verdade não posso escolher mas posso desistir de tentar construir algo forte sob o movediço que é a tua vida.

Aquilo que me preocupa é que a minha coragem desvanece cada vez que te vejo..E por hoje, perdi as palavras, perdi a vontade de dizer seja o que for. Acho que preciso de tempo para mim.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

22

Há sempre uma voz pequenina em nós, regula o seu volume consoante a confusão que vai pelo nosso coração; tento calar essa voz com diversas ocupações, faço um esforço para a levar de mim, tão longe quanto possa.
Faltam 30 quilómetros, a minha desilusão vai aumentando e com ela aumento o volume do rádio; tento esquecer a situação, tento arranjar estratégias que me levem a acreditar que é possível e que sou eu que estou enganada. Isso é possível?!
Não acredito em ti, e tenho todo o direito em não acreditar e quanto menos acredito menos gosto de ti; tento agradar-te só para fazer parte do teu desfile mas nada me parece suficiente.
O sentimento vai reduzindo e aquilo que aumenta é a sensação de posse, que não posso ter por ninguém mas que é sempre a última a desvanecer.
Não és o homem da minha vida e eu recuso-me a perder tempo; sabes ainda não o conheço, não sei se é alto, se é baixo, se tem os olhos azuis ou castanhos, se é engraçado ou se não gosta de piadas.  Mas sei que ele deve estar ao meu lado, em todas as situações e deve sempre lutar para ser parte integrante da minha vida.
Não é que tu tenhas muitos defeitos, ou que seja eu muito esquisita mas eu não me importo de te ver ir embora, e já não me importo quando vais sem hora para voltar. Já não me interessa se vens, se ficas, se te deixas ir ou se te perdes. Mais uma vez, não estou apaixonada ao ponto de te pedir para te sentares.

És uma alma livre, sem emoções, sem sentimentos e não sei se saberás algum dia gostar de alguém; pensas que gostas, atrai-te a possibilidade de eu ser inteligente, parecida a ti, gostar de te ouvir e ser ma audiência calada, sorrindo ao teu espectáculo. Eu posso ser isso, mas posso ser muito mais coisas.
Eu sou um camaleão de relações, ajusto-me a todas e tento ser o mais próxima do outro.
Estou próxima de te perder, mas serei eu, mais uma vez, quem te vai entregar à vida novamente; é um desperdício de personalidades pois com toda a certeza existe alguém que gostará de mim exactamente como sou e também haverá alguma mulher que seja tão feel good como tu.

Até aqui, fiz um esforço para te abrir os olhos, para que olhasses para os meus e me desses a garantia de que estás para o que der e vier; dei-te todas as pistas, mas cansa esta luta contra alguém que está a anos luz de mim.
Afaste-te de mim, agora que vais a tempo de não me odiares; afaste-te de mi e fica tu com boas recordações porque eu de ti já não levo nada; deixo que penses que me ensinaste o que sei.
Não me conheces e, infelizmente, já vai tarde para eu voltar atrás e dar-te uma noção de realidade. Este é o preço que eu tenho que pagar por não saber gostar de ti como és; por te querer mudar, constantemente.
Cansei-me de ser eu, a única que tentou mudar alguns dos seus hábitos para te agradar. Tu tinhas que ter acompanhado essa evolução e se não estás disposto a ajustar-te a mim, então também não podes estar para gostar de mim.

Com isto, e porque agora os ventos são de mudança e de alteração, peço-te que não estranhes se eu não atender, se eu não estiver, se eu me for embora sem ti, sem te avisar. Não vou encontrar alguém melhor que tu, nem é meu intuito criar outra relação. Mas a vida tem que avançar e eu sempre ouvi dizer que não nos devemos demorar onde não pudermos amar, e de ti, contigo, por ti, não há mais nada.
Não estranhes, e por favor, não me aches igual a todas as outras... Tarde, muito tarde vais ler este texto e vais perceber que foi feito para ti. Hoje, neste ano em que lês estas palavras, nós já só somos vestígios de uma amizade de faculdade. Lembrarás-te das minhas palavras, conversas intermináveis no opel astra preto; dos meus gritos, das discussões, das desculpas, mas não te vais lembrar porque é que acabou e eu vou pedir-te que faças um esforço e que, nunca mais, faças o que me fizeste a mim.

terça-feira, 19 de abril de 2016

100

Pedes-me para ter calma, dizendo e afirmado repetidamente que nem todos os homens são iguais. Pois eu ia jurar que sim, são todos iguais.
Quando comecei a crescer, queria acreditar que ia conhecer eventualmente o homem da minha vida; um príncipe encantado que iria fazer com que, finalmente, todas as peças encaixassem.
Enquanto olho para ti, e falas sobre o que sentes e não sentes, aquilo que fazes ou não podes fazer, vou vendo o filme atrás de ti. Confiar em ti é uma missão impossível e da qual não te posso por a par.
Dizer-te que não és digno da minha confiança, que te acho completamente indisponível e que és extremamente egoísta seria destruir-te e a minha função aqui não é essa.
Vou dizendo que tu és capaz, que tens muito futuro, e que és fantástico; ainda assim, não confio em ti.

Tenho a certeza que se te dissesse toda a verdade, tu não conseguirias viver com os segredos da minha vida; tu não sabes do que eu sou capaz, do que eu já subi e de onde eu já estive. Tu não sabes o que é viver nesta montanha russa entre a felicidade e a tristeza extrema e eu só sei viver assim.
Ontem, enquanto encarávamos a cidade de longe, quis contar-te tudo, voltar atrás 8 anos e explicar-te o quão perdidamente apaixonada já estive e que se aguentei tudo foi por esse amor inexplicável que senti.

Não, tu não és menos que ele. És diferente. Não te posso magoar da mesma forma.
Eu vivi na fronteira entre o amor e o ódio, onde tudo era possível; onde nada era pecado.
Na verdade, quando eu te digo que doeu muito, que passei por muito, é real mas ainda assim, eu fiz igual... Tão igual que não sei até que ponto sou diferente dele.
Esta situação está a correr mal no sentido em que se mantém, pelo menos da minha parte, as pequenas omissões por não me sentir segura. Acho que foi assim com ele... Quando deixei de me sentir segura, foi o fim, a subida à dança demoníaca de quem tem um vício. E eu tinha, e esse vício foi ele...

Hoje, se fechar os olhos, consigo voltar lá, a todas as lágrimas, ao desespero, à falta, ao riso, aos abraços e especialmente aos regressos... Os regressos tinham muito sabor, eu sabia esperar por ele, aceitando que a única experiência que conhecia era aquela.
Sinto que esta cidade me quis dar uma segunda oportunidade e eu não a soube aproveitar.
Tomei decisões importantes nas ultimas horas e eu não te vou deixar sair daqui com o argumento de que a culpa é minha. Da minha desconfiança, ciúme e até paranóia.
Vou deixar -te andar... Sem te preocupar, sem me preocupar. Falando, avaliando, vendo... Quando deres por ti, não vais saber como é que te conseguiste apaixonar outra vez, e depois vais aprender que eu não sou perfeita e que é importante manter os olhos abertos.
Na verdade, tenho a certeza que me vou lembrar de ti, para sempre, como a pessoa mais interessante e parecida comigo; não te vou ter para sempre, e vou tentando amenizar a exponencial de paixão que vou sentido por ti. Vou tentando jogar a lei do desapego que te vou pedindo para me ensinares e quando acordarmos vamos ver que aprendemos muito um com o outro.

Há dias em que não te sinto, há outros que te quero sentir por inteiro... Como te disse, esta minha mania de ter caprichos é um erro e uma armadilha em que vou caindo acompanhada. Nada imediato, nada como as histórias de encantar diziam. Temo que não sejas o meu príncipe, temo até que esses não existam. Voltei a fechar os olhos, voltei a culpá-lo por tudo isto, por mim, por ti, por nós. Culpo-o por não ter ficado, culpo-o por me ter feito apaixonar e agradece-lhe porque se não fosse tudo aquilo eu nunca teria encontrado alguém tão fascinante como tu e que me faz acreditar que é possível mesmo que não confie no teu coração.
E duvido que possa algum dia confiar... Mas tu não vais saber.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Goodbye

Depois desta confusão, desta discussão completamente rotineira, assumo que não sou mulher para ti neste momento. Desculpa, e a palavra desculpa é a única que ecoa na minha cabeça. 
Desculpa por não te saber pedir desculpa, por não saber acreditar, por não saber confiar. Desculpa saber dizer adeus.
Tentei recordar, sentei-me na minha secretária e reli tudo outra vez; cada palavra minha para ele, cada lamentação dele para mim, cada oportunidade minha, cada pedaço de mim que voou.
Eu não era assim, eu nunca fui assim; eu já gostei, sem pensar em mais nada, sem procurar nada, a confiar a 100%; fecharia os meus olhos para ele me guiar, e sem medos daria passos largos. Não consigo fazer o mesmo contigo, nem com ninguém.
A verdade é que tu tens razão; para mim os homens são todos iguais e todos fazem exactamente o mesmo, de forma diferente é certo, mas no fim todos nos irão trair.
Encontrei a resposta que procurei durante tantos anos, e encontrei-a da pior forma, aos berros, a discutir, a voltar ao mesmo sítio, vezes e vezes sem conta.
Interrompendo o teu raciocínio, desrespeitando o teu momento e sorrindo por conseguir, mais uma vez, tirar-te do sério. 

Eu tentei e isso posso jurar-te mas estes refúgios da mente vem ter comigo; estou a falhar, a falhar muito. 
Podes não acreditar, este é o primeiro texto directamente para ti... O primeiro e receio que seja o último. 
Não tens, não mereces, não precisas de tolerar uma dor destas; não faz parte do teu trabalho curares-me desta doença que me foi transmitida pelas milhares de vezes em que bati com a cabeça na parede.
Agradeço a tua paciência, a tua resiliência e vontade de ficar mais um dia para ver o que era; agradeço mas não te posso deixar ficar para sempre nesta esfera.

Acredito, também, que desta vez tu tenhas percebido que não me pertences e que estejas, simplesmente, a tentar encontrar uma boa forma de me o dizeres sem magoar, sem me fazeres chorar porque, sinceramente, sei que nunca o farias.
Por isso, e por tudo, não te culpo se tiveres que ir; fui muito egoísta, só pensei em mim, num flashback de vidas que já não existem. 

Desculpa, nunca terei oportunidade de te o dizer de outra forma que lamento esta solitária em que me transformei, que procura desculpas para um fim dramático. 
E desculpa, por não saber dizer mais nada do que desculpa.

domingo, 10 de abril de 2016

Music

Ontem questionaram-me sobre o meu primeiro amor, como tinha esquecido e se realmente o coração não palpitava quando o via.
O meu primeiro amor é sempre uma história muito longa, porque o meu foi o único e até hoje não me lembro de sentir algo semelhante; passou muito tempo desde a primeira vez que cruzei o meu olhar com o dele. Recordo-me como se fosse hoje, uma noite qualquer, das primeiras da minha vida, um rapaz sem qualquer brilho embeleza o meu olhar quando se faz passar por meu acompanhante. Era um jogo que nós costumávamos ter para conseguirmos entrar na discoteca.
Passei muito tempo sem lhe dar muita importância, era muito nova e lembro-me de ser muito livre, senhora do meu nariz a correr no corta-mato.
Ele insistiu muito, entrou na minha vida, estacionou a nave e ficou foi se mantendo e eu fui gostando, fui me apaixonando. Costumam dizer que esses primeiros amores são imediatos mas no meu caso, eu não dava nada por ele.
Foi no verão que senti pela primeira vez o sabor da paixão e num piscar de olhos estava caída de amores; e assim me mantive por cinco longos anos.
Muita coisa mudou desde então, seguimos caminhos totalmente diferentes como já era de prever pois não tínhamos nem temos os mesmos ideais de vida.

Perguntaram-me se era justo perder tanto tempo com alguém (?!) e eu respondo, com muita certeza, que não foi de todo uma perda de tempo. Eu ganhei tempo com ele, conheci-me e especialmente conheci os limites do outro.
A verdade é que a memória tem uns truques engraçados, ela faz-nos querer que os tempos passados foram bons mas eu ainda guardo situações físicas de que nada foi perfeito, nem se aproximou de tal só que, ainda assim (expliquei eu) quando o vejo, apesar de não sentir borboletas nem palpitações, guardo-o no meu coração como uma pessoa muito especial que parecendo que não acompanhou todas as minhas fases, da inocência, à idade de saltar do armário, ás crises da idade adulta e nunca se queixou em demasia.
Eu também tolerei neuras, incapacidades, faltas de respeito mas eu acho que isso faz parte do primeiro amor... Porque esse primeiro amor não é para sempre, tem os dias contados, é a nossa rampa de lançamento e ai de nós se não o colocarmos num pedestal

"Não te arruinou a vida?" Claro que não. É capaz de ser um fantasma pelas situações menos boas que proporcionou, mas fez-me abrir os olhos e ser mais realista. Perceber que onde há fumo há fogo e que por vezes temos que conduzir de outra forma.
Se fechar os olhos consigo transportar-me para esses tempos, apesar de tudo era muito feliz e sei que o conheço como ninguém. Ainda hoje saberia como agir com ele.

Não resta qualquer tipo de sentimento e por isso o à vontade em falar sobre isto;  não me transtorna porque está cada um onde deve estar. Não tenho pena que não pudéssemos ter ficado amigos, porque não havia amizade por onde andar. Já tínhamos vivido tudo, já tínhamos partilhado e discutido tudo qualquer tipo de amizade iria fazer despoletar amores e ódios antigos. E não, não tenho pena de não lhe falar cada vez que o vejo, quando calhar solta-se um olá desgarrado mas quando a situação não o proporciona acho saudável que viremos o olhar para o lado. "E porquê?" perguntou ela, porque simplesmente não há nada a dizer. E tenho a certeza que ele se lembra de todos os momentos ao meu lado, que nunca se vai esquecer das longas conversas, dos abraços, da discussão acesa, da desconfiança, da partida e do adeus.

"E nunca mais amaste ninguém?", pergunta retórica com resposta curta, Nunca mais amei ninguém, mas também sei que nunca mais estive disponível a amar. Agora encontrei alguém que se parece comigo, apesar da sua visão crua da sociedade somos um casal engraçado mas, tanto quanto sei, o amor é uma construção.

"E foste feliz entretanto?" Claro que fui, tive uma segunda paixão onde senti muito pouco, era mais o companheirismo e as perspectivas de futuro que nos mantinham agarrados àquela certeza. Mais tarde, e como as projecções diriam, não havia futuro nenhum. Hoje estou numa terceira paixão, onde tenho cada vez menos certezas. Ainda assim, quero que os sonhos felizes se tornem realidade e sou hoje uma pessoa mais calma, com menos receio no caminho de uma resolução interior.

"Gostas dele?" Primeiramente é um grande amigo e faço o máximo para também ter esse papel na vida dele, o de uma grande amiga. Dou todos os conselhos que uma amiga devia dar, sem pensar em mim e no meu lugar no seu percurso pois aprendi que não somos nós que o escolhemos.
Mas gosto dele, gosto da sua companhia e principalmente do desafio pessoal em que ele se tornou. Mais do que isso será pura previsão a longo prazo cujos resultados correm o risco de serem pouco precisos por isso vou me deixando levar e a se a vida decidir mudar então apesar do sofrimento inicial já aprendi que é assim que tem de ser.
Na verdade, sinto que se começarmos a entrar na mesma sintonia que isto até pode ser uma cena a a valer, com direito a foguetes e tudo mas se entretanto ele mudar de faixa eu farei pouco para manter.

Não faças mais perguntas, digo eu, para terminar sou eu quem te diz que aprendi a ser eu própria.. A não mudar por ninguém e a ter os meus sempre perto de mim. Aprendi que não se deve ter pressa e que se tivermos calma tudo correrá bem. O bem é sempre um adjectivo, claramente, relativo. E não te preocupes, que essa do primeiro amor vai passar-te e não tarda já olhas para trás e ele é só uma parte da tua vida que, se não fores idiota, nunca vais apagar.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Preparação de um discurso

Existem anos de mudança, meses de transição e dias que nos fazem abrir os olhos; transporto-me para o local onde estava à um ano atrás, tinha encontrado o meu melhor amigo, o melhor ouvinte e a melhor pessoa para passar uma tarde de sol.
Eu soube que o amava desde a primeira vez em que os nossos olhos tocaram, era algo intocável e inimaginável; se existem almas gémeas, nós éramos o protótipo dessa patente. Uma geração que nos diferenciava mas ainda assim tu afastavas todas as minhas teorias complicadas.
Não é que não esteja bem hoje, não é que a companhia não seja a melhor mas as minhas saudades de ti serão eternas.
Tínhamos um vício, um amor por edificar e se tu rapidamente imaginavas a vida ao meu lado hoje eu não sei se mais alguém poderá imaginar; estou feita à tua medida.
Tu apanhaste-me, tiraste-me do chão, fizeste-me voar e responsabilizar-me pelas minhas atitudes; fizeste-me acreditar que era possível amar outra vez e que o somatório de incertezas da vida é que faz dela a equação mais bonita do mundo.
Hoje é tudo muito diferente; fecharam a cortina e eu estou com alguém próximo de mim, da minha imaturidade, dos meus devaneios, do meu stress ainda assim faltas-me tu. É absurdo e injusto pensar assim, mas todas as noites em que fecho os olhos penso o que teria sido se tu tivesses ficado.

Talvez tenhas razão e sim, foi pelo melhor, eu estava a atrasar-te e tu a apressar-me; tu nunca serias totalmente feliz pelo acompanhamento e eu nunca seria inteiramente completa por não ter vivido os erros.
Não me sobra muito de ti, sobra-me a pequena caixa de brilhantes, vermelha como fico quando te vejo e é a recordação mais bonita que tenho; não era um anel, muito menos uma garantia de permanência, era sim um gesto de um amigo que não se esqueceu de mim.
Nunca te dei nada, recordo-me agora, mas sei que ficaste com a inocência, a vida e a alegria das noites dentro do carro a rir até à exaustão.

O que podia ter sido tudo, não foi nada e como costumam dizer é quando mudamos que podemos dar o devido valor ao que tínhamos; estava cansada de ti, dos teus segredos ao meu ouvido, ás tuas chamadas fora de horas, à tua presença constante na minha vida; sentia que precisava de liberdade, de poder escolher qual o caminho a seguir sem o teu olhar de (re)aprovação mas hoje acho que essa tua presença é uma falta constante na minha vida.

"Dá-me um cigarro" e fumávamos durante horas; o primeiro beijo foi mágico, nunca pensei que chegar até aquele dia. Como já disse, tu eras o inatingível, o impossível. Porque é que eu te haveria de ter? Por tantas vezes desisti até que te sentaste ao meu lado e, como se os astros se tivessem alinhado, ficámos até de manhã; até o sol sair pelas nuvens, e nos dizer olá num qualquer dia de Junho.

Acordar contigo, viver o dia contigo, dar-te a mão e sentir que o mundo podia realmente andar mais devagar foi uma sensação única.
Gostava de te abraçar outra vez, talvez a última e pedir-te desculpa entre dentes; talvez virasse as costas logo a seguir, talvez aguardasse pelo consentimento mas eu já avancei.
Dei a oportunidade que nunca te dei a ti; entreguei-me, como nunca me entreguei a ti. Acelerei como nunca acelerei por ti e se isto quer dizer que nunca gostei de ti então as palavras estão erradas porque o sentimento, por ser tão forte, nunca passou.

Foi-me pedido e ordenado que aprendesse a viver sem ti e eu vivi; dizem por aí que nunca se chega a lugar nenhum se deixámos o coração na paragem anterior; na verdade chega-se, chega-se a uma encruzilhada.

Assim, e sem ti, vou avançado sem qualquer certeza; como se não houvesse mês a seguir a este, vou aprendendo a lidar com a tua falta e com outra presença monótona.
Contigo não havia rotina, cada dia era inesperado; se hoje estávamos aqui, amanhã tu podias ter ido sem nunca mais voltar. Era constante a minha ânsia de ti. Esperava-te todos os dias e quando não te esperava, fazia questão de te ter na minha mente, com um riso alto e um sorriso irónico.

Não te posso ter de novo e também não te posso pedir que voltes; no fundo sei que seremos eternamente parte integrante um do outro e, quando olhas para mim na rua, à distância de um olá, eu sinto tudo como se fosse da primeira vez. São sentimentos diferentes, que acho nunca ter experimentado.
Cresço, e vou endireitando as costas e o pescoço como me dizias; tento intercalar a matemática com a sociologia, como aconselhas-te e vou perdendo pontos nesta confusão que te criei. Talvez haja uma luz no final de todas estas discussões e trocas de ideias, mas na verdade nem tu nem eu nos estamos a tornar mais novos.
Tentei, pela última vez, que abrisses os olhos e que visses que estaria aqui para ti, com o mesmo rabo de cavalo e olhar sonhador; fiquei sem palavras, sem formas de te fazer parar. Da última vez não fiquei bem mas fingi que sim e tu nunca voltaste para me dar a mão e foi aí, aqui, que soube que tu não tens intenção de perceber que isto não é mais um teste, um truque ou uma tentativa de saber em que ponto estamos. Eu sei bem em que pontos estamos; tu fazes a mesma vida de solteirão incurável, e eu uma romântica sem prescrição vou lutando por algo maior.

O que é que eu te poderia ter dito? O que é que eu poderia ter feito? Cada palavra ou gesto meu parece que piorou sempre a situação. Talvez tivesses tu que ter dito que sim, que ficavas... São escolhas, eu tentei que pelo menos restasse uma boa amizade. Resolvi-me, sem te perguntar, não me deixaste. E é hora de seguir... sem medos.