Há sempre uma voz pequenina em nós, regula o seu volume consoante a confusão que vai pelo nosso coração; tento calar essa voz com diversas ocupações, faço um esforço para a levar de mim, tão longe quanto possa.
Faltam 30 quilómetros, a minha desilusão vai aumentando e com ela aumento o volume do rádio; tento esquecer a situação, tento arranjar estratégias que me levem a acreditar que é possível e que sou eu que estou enganada. Isso é possível?!
Não acredito em ti, e tenho todo o direito em não acreditar e quanto menos acredito menos gosto de ti; tento agradar-te só para fazer parte do teu desfile mas nada me parece suficiente.
O sentimento vai reduzindo e aquilo que aumenta é a sensação de posse, que não posso ter por ninguém mas que é sempre a última a desvanecer.
Não és o homem da minha vida e eu recuso-me a perder tempo; sabes ainda não o conheço, não sei se é alto, se é baixo, se tem os olhos azuis ou castanhos, se é engraçado ou se não gosta de piadas. Mas sei que ele deve estar ao meu lado, em todas as situações e deve sempre lutar para ser parte integrante da minha vida.
Não é que tu tenhas muitos defeitos, ou que seja eu muito esquisita mas eu não me importo de te ver ir embora, e já não me importo quando vais sem hora para voltar. Já não me interessa se vens, se ficas, se te deixas ir ou se te perdes. Mais uma vez, não estou apaixonada ao ponto de te pedir para te sentares.
És uma alma livre, sem emoções, sem sentimentos e não sei se saberás algum dia gostar de alguém; pensas que gostas, atrai-te a possibilidade de eu ser inteligente, parecida a ti, gostar de te ouvir e ser ma audiência calada, sorrindo ao teu espectáculo. Eu posso ser isso, mas posso ser muito mais coisas.
Eu sou um camaleão de relações, ajusto-me a todas e tento ser o mais próxima do outro.
Estou próxima de te perder, mas serei eu, mais uma vez, quem te vai entregar à vida novamente; é um desperdício de personalidades pois com toda a certeza existe alguém que gostará de mim exactamente como sou e também haverá alguma mulher que seja tão feel good como tu.
Até aqui, fiz um esforço para te abrir os olhos, para que olhasses para os meus e me desses a garantia de que estás para o que der e vier; dei-te todas as pistas, mas cansa esta luta contra alguém que está a anos luz de mim.
Afaste-te de mim, agora que vais a tempo de não me odiares; afaste-te de mi e fica tu com boas recordações porque eu de ti já não levo nada; deixo que penses que me ensinaste o que sei.
Não me conheces e, infelizmente, já vai tarde para eu voltar atrás e dar-te uma noção de realidade. Este é o preço que eu tenho que pagar por não saber gostar de ti como és; por te querer mudar, constantemente.
Cansei-me de ser eu, a única que tentou mudar alguns dos seus hábitos para te agradar. Tu tinhas que ter acompanhado essa evolução e se não estás disposto a ajustar-te a mim, então também não podes estar para gostar de mim.
Com isto, e porque agora os ventos são de mudança e de alteração, peço-te que não estranhes se eu não atender, se eu não estiver, se eu me for embora sem ti, sem te avisar. Não vou encontrar alguém melhor que tu, nem é meu intuito criar outra relação. Mas a vida tem que avançar e eu sempre ouvi dizer que não nos devemos demorar onde não pudermos amar, e de ti, contigo, por ti, não há mais nada.
Não estranhes, e por favor, não me aches igual a todas as outras... Tarde, muito tarde vais ler este texto e vais perceber que foi feito para ti. Hoje, neste ano em que lês estas palavras, nós já só somos vestígios de uma amizade de faculdade. Lembrarás-te das minhas palavras, conversas intermináveis no opel astra preto; dos meus gritos, das discussões, das desculpas, mas não te vais lembrar porque é que acabou e eu vou pedir-te que faças um esforço e que, nunca mais, faças o que me fizeste a mim.
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