domingo, 27 de março de 2016

Past

Fazes uma retrospectiva de vida; o facebook ajuda-te com as memórias diárias. Transporto-me para lá, para o que já foi e não me recordo do que pensava naquela altura.
Andei muito tempo ao sabor do vento; dona de uma liberdade que nem sequer era minha mas na verdade era muito mais feliz.
O conceito de felicidade pode, e deve, mudar ao longo do tempo; crescemos e amadurecemos mas na verdade não acompanhamos o presente.
Neste regresso ao passado lembrei-me de uma pessoa que até vejo com frequência; lembrei-me do quão feliz era ao lado dessa pessoa. Não sei o que é que ele tinha, ainda hoje não sei o que me fez entrar no carro vermelho mas sinto ainda o coração aquecer quando faço curto circuito ás memórias.
A Ana ligou-me no auge do momento nostálgico, enquanto falava com ela e lhe contava as peripécias do dia, lembrei-me de tudo o que passei durante o ano de 2012.
Acho que nunca mais vou voltar àquele lugar mas o Rui Veloso já dizia e bem que não se devia voltar onde já fomos felizes.

"Mais ainda te sentes apaixonada por ele?" questiona a Ana, eu digo-lhe que não, mas que nos momentos em que nos sentimos a descer sem escadas para subir só nos apetece voltar atrás e não deixar ir o que estava tão certo. Digo-lhe, também, que ainda hoje quando olho para ele sinto que devia ter lutado mais, devia ter ficado mais, devia ter-me mostrado mais e, mais do que tudo, devia ter-lhe dito tudo o que sentia.
Estes arrependimentos são normais mas na altura a decisão parecia a mais acertada. Afinal eu não gostava dele, pelo menos não tanto como pensava que tinha que gostar.

Essa é outra, o conceito de gostar altera-se tanto ao longo da nossa vida. Um dia achamos que nunca mais nos vamos apaixonar e uns meses depois caímos de paixão pelo incerto. Eu sou assim.
Não me apaixonei muito, mas quando me apaixonei foi a sério, tão a sério que cometi erros terríveis dos quais me envergonho e acima de tudo quero esquecer.
Os mais velhos costumam dizer que não nos devemos arrepender de nada, e que tudo o que fizemos foi feito por alguma razão eu cá acho que ás vezes não funciona assim. É perfeitamente normal e justo que nos arrependamos pois se tivéssemos pensado sobre as situações, hoje não estaríamos nesta situação.

A Ana obriga-me a ir buscar a minha primeira paixão; é um risco tirar esta caixa, tem muito pó e as memórias não são boas. Foram cinco anos de uma incerteza constante, de medo, de traição, de falsidade e principalmente de falta de amor, pois este não é unilateral ainda assim, tendo em conta as últimas instâncias, percebi que fui mais feliz nesse filme pois aí eu sabia exactamente qual era o meu papel e, o mais importante, é que sabia exactamente aquilo que sentia.
Hoje não sei bem aquilo que tenho, é desfocado e não faz bem à alma. Não devíamos pôr as coisas nestes termos não é, é verdade que não faz sentido tornar tudo tão linear mas a "cena" é que ouvir as mesmas canções vezes e vezes sem conta faz-nos sabe-las de cor.

Por isso, voltando ao presente, não dá para te mudar... Tu nãos sabes nada de mim, eu ouço-te falar e não acredito em nada daquilo que dizes. És o homem gelo e, sinceramente, nesta altura da minha vida eu não tenho que aguentar.

Quando se torna vão falar com alguém ou quando temos que explicar mil vezes o mesmo, então deixa de fazer sentido. Uma relação não se baseia em ensinamentos, em explicações, em discussões... Quero que fiquemos quites, não quero mentir, mas acredito que haja mais futuro no passado e isso está a tornar esta relação numa ralação constante.

O que queres fazer? Eu quero que vás, pela tua vontade e não porque eu te tenha de dizer. O meu papel não é acabar, não forces isso porque assim a novela vai acabar mal e não é suposto.

Decisões

Nos dias que correm, tomar decisões é tão impreterível quanto respirar; ultimamente as minhas decisões são vitais, e delas dependem o rumo da minha vida.
Se, por um lado, ter-te na minha vida preenchia uma lacuna que à muito não era recheada, por outro, é um tormento diário.
Não me transmites qualquer tipo de confiança e duvido de todas as tuas palavras, passos e rumos. Não acredito em ti.
Isso magoa, e não só te destrói a ti como a mim por isso julgo que este caso é tão simples quando como decidimos mudar de emprego: chegamos a uma altura em que não aguentamos mais, os contras são bem mais fortes do que os prós e cada dia é um suplicio. Foi isso que me aconteceu a mim e com toda a coragem do mundo, levantei-me da cadeira e decidi que o contrato terminava.
Contigo não há nada escrito nem apalavrado ainda assim é um desgosto e desilusão.
Estas palavras são duras mas são o reflexo do sentimento; não te posso dizer isto assim e por um lado apetecia-me atirar-te à cara dois ou três devaneios e por-te a andar mas por outro sinto que te devo o mínimo respeito.
São mundos diferentes, é certo mas para além da diferença existe todo um conjunto de variáveis que não nos vão permitir chegar a bom porto,

Hoje chorei, chorei porque sinto que neste momento as minhas decisões me estão a encaminhar para uma estrada que não conhecia com certezas que não existem mas por mais que doa, por mais medo que tenha eu sei que não serei feliz assim.
Será complicada essa conquista pela felicidade? Ou será essa uma jornada impossível de conquistar? Será uma guerra infortuna? Quem és tu? Porque é que entraste na minha vida, assumindo gostares de mim?

Por mais quanto tempo nos estaríamos a enganar? Por mais quantos dias é que tu julgavas que me irias ludibriar com afirmações de amor presente? Chegavas e seria tudo normal. Sim, eu podia fingir isso.
Mas quando encarei o passado, tão perto do presente a reflectir no futuro entendi que o fingimento já me custou muitas emoções e sentimentos. Estou reduzida a um nada que tu não consegues alcançar porque do lado de lá tens tudo.
Eu cheguei para te lembrar que deves optar.

A dor das decisões aos vinte e quatro anos é ferida que nunca sara... Por hoje ficamos assim.

terça-feira, 22 de março de 2016

Simple things

E finjo que está tudo bem; deixo-te acreditar que aceitei a pessoa que és ou o feitio que inventaste. 
Invento-me eu, num outro ser, paralelo ao meu mundo que habita no teu; habito e respiro o mesmo ar que tu. 
Será normal esta falta de saudades? De necessidade de afecto? Ou foste só tu e as tuas acções que deixaram este perigo?
Não ameaço, não exijo, não peço, não grito, não me zango... Controlo o tom de voz e vou sentido que há mais futuro no passado.
Assim é mais fácil, quanto menor a expectativa melhor o voo e eu quero voar alto; conhecendo o meu interior acredito que deixaria tudo por alguém que valesse um minuto da minha vida.
Na verdade nós nunca sabemos quem vale a pena, a experiência dita a teoria da prática e o mais eficaz é deixar o mundo rodar.

Para os realistas como eu, deixar rolar é como fantasiar sobre os processos estocásticos; por isso eu digo-te que sim, que vivo o momento e que deixo andar mas na verdade eu procuro mais. Eu procuro um edificar qualquer coisa por mais efémera que seja. Eu também não tenho certezas, tão pouco posso ter qualquer garantia mas faço por não deixar o chão tremer.

Estamos longe, meu caro e coração que não vê coração que não sente; talvez te lembres de mim, de vez em quando enquanto fazes da tua vida a vida mais interessante de todas. Eu mantenho-me, no mesmo prédio de paredes brancas e portas cinzentas a fazer aquele que é o projecto da minha vida.

Apesar de tudo isto, aceito a derrota de sentir mais do que tu; aceito os sentimentos que me surgem vindos do passado; aceito que não estou bem resolvida.
Sou uma mulher de caprichos e isso nunca te disse; eu olho, acerto o alvo, atiro e venço. É normal em mim. Tantas vezes te vi passar, apesar de andar noutros jogos tinha-te no raio de visão. 
Arrisquei uma primeira vez, caíste na rede como qualquer outro cairia; soubeste andar na mesma linha que eu, aproveitaste as falhas para entrar e eu sabendo à priori como seria, aceitei. 
Se olhares para trás, com muita atenção e com a cabeça no sítio, vais perceber como tenho razão. Fui eu, sempre eu.
Neste sentido não diferes de todos os outros que encaixei no puzzle da minha vida... A única coisa que te faz subir, cem metros acima do meu céu, é que me deixas sem ar e nunca o tinham feito.
Deixas-me a falar sozinha, deixas-me enlouquecer e eu gosto. 

Já amei muito no passado, mais do que vou qualquer dia amar alguém; o passado, por mais negro que seja, assemelha-se sempre a um arco-íris pois ninguém se lembra da chuva quando encara as cores.
Tu estás lá! Estás num bom caminho e quem ficar contigo terá muita sorte mas também muita paciência.
Supostamente essa qualidade/defeito da paciência é a base do meu ser mas sinto que contigo devo ser eu própria de forma a deixar-te escolher o teu caminho.
Julga-te, sente-te como homem da minha vida neste momento... Não estarei com mais ninguém e mesmo quando terminares a nossa relação eu prometo que vou chorar, e vou tentar ficar contigo mais uma vez.

Depois disso eu serei sempre a just words; esperando que o céu negro desapareça e à procura do cavalo branco. A perfeição existe e para cada ser é diferente.
Após tantas tentativas eu nada tenho a pedir-te e por nada me zangarei;estará, sempre que possível, tudo bem... Não há uma conexão legal entre nós e o tiro ao alvo continuará quando souberes que eu sou uma eterna apaixonada que só pede a felicidade.

Eu não sei com quem vou ficar mas sei que o vou escolher de entre todas as outras opções... Estamos perto do fim e sabemos disso. 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Climb

Foi a discussão mais feia que já tive nos últimos três anos; vieste substituir um passado que quis esquecer.
Não tens culpa mas eu vou interferindo na tua vida como só eu sei; felizmente ainda não tiveste essa percepção. Ainda estás verde nesta coisa das relações; não sabes bem por onde começar ou então és um bom actor.
Enquanto nos sentávamos numa mesa onde já me tinha sentado no passado, com a mesma saia verde, pensei se seria possível que isto fosse mais uma coincidência.
Não acreditas no destino, nem que tudo acontece por uma razão forte e enquanto isso desabafas um ser isolado.
Agarras-me na mão, juras que gostas de mim e eu não acredito; sorri de volta para ti, para te dar alguma confiança do meu sentimento por ti mas dou voltas por dentro. É tarde e eu não quero arriscar.
Dás-me o braço, dás-me o corpo e eu sinto falta do coração; atiro-me de corpo e alma para ti, entrego-me mais uma vez porque eu só sei tentar, tentar e tentar sem desistir.

Racionalmente acho que tu és um grande erro, que estou a perder o meu tempo contigo mas a verdade é que quando te chegas perto eu sinto que faz sentido. Não sei se é o idiota do meu coração míope ou se realmente encaixamos.

Dou mil golos seguidos na minha água, fumo três cigarros e tu és um grande cliché. Não me transmites rigorosamente nada quando te atrapalhas; não confio em ti quando estás sem mim mas acredito que gostes de mim. Ou pelo menos da ideia que criaste de mim.

Vais embora, apanhas o primeiro voo para o tempo quente; eu fico, agradeço por teres ido... Não posso continuar neste jogo de poder que não me vai levar a lado nenhum. Ouço a tua voz do lado de lá do telefone, sempre com tão pouca coisa para dizer. Nesses momentos tenho saudade do passado e dou-lhe asas para o futuro.
Nunca perdi tanto assunto como perco contigo;os meus interesses diferem tanto dos teus. Para ti tudo isto será fácil, mais tarde ou mais cedo sabes que o fim vai chegar mas ainda assim, vais -te apercebendo do meu toque de emoção e tentas sublinhar que nada me podes prometer.
Nunca pedi a ninguém promessas e da última vez que me prometeram amar para sempre percebi que seria a pessoa mais infeliz do mundo.
Tento dizer-te que se já esqueci uma vez o amor da minha vida, é mais fácil esquecer uma relação que não se edifica... Subtrais as incertezas e assumes que não sabes estar numa relação. 
Precisarás de ajuda? Penso eu enquanto fazes o ar aborrecido de um menino de dezassete anos que não lhe deram o que queria; já estive aqui, já fiz isto penso eu. Tento arranjar força e alguma coragem para acabar tudo isto... Algo em mim me diz que não.

Não sei viver com prazo de validade, para mim tudo é eterno até que seja o fim. Mas que seja um fim não anunciado.
Não é fácil viver com a pressão da desconfiança, nem tão pouco com o fingimento irreal. Afasto-me, quase a seguir a deixar-te para trás. 
Estou confusa... 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Extra

Fiquei à espera para ver, deixei as horas passar, deixei o mundo continuar a rodar e esperei sentada para ver se chegavas; olhei para a porta de meia em meia hora, respirei fundo sempre que não te via chegar a ti.
A confiança de te querer ver nos olhos desvaneceu-se com a certeza de que não estamos para o mesmo; não estamos preparados para que há de vir. O querer-te, nos meus braços, na minha alma, na minha vida vai diminuindo de intensidade enquanto os dias passam no calendário; sei que vamos ter que ter coragem. Acabar o que nunca começámos...
Sinto que precisas que eu comece o fim; sinto que te tirarei um peso de cima, és demasiado boa pessoa para seres cruel e ires embora.
E por isso lamento, por saber que por de trás de tantas manifestações de amor tenha que ser eu a olhar-te friamente; depois de te olhar sairei fora da zona de perigo, e quando já não te vir mais poderei chorar-te.
Chorar-te porque este fim é definitivo; és diferente de todos os outros por isso. Nunca mais te verei.
E sempre me disseram que quando se faz uma despedida é bom chorar, mesmo que ninguém possa saber o motivo.
Não consideres isto como uma desculpa para poder voltar atrás; não é do meu feitio voltar onde já fui infeliz. Isto é apenas o resultado das inequações.

Conhecerás assim o meu pior lado, aquele em que sou dura comigo e contigo; prometi que não voltaria a incomodar-te com os mesmos assuntos, nem a bater constantemente na mesma tecla. Eu cumpro promessas e se não posso discutir ou argumentar, entendo que o melhor é desistir.

Não se pede amor, sabias? Não se ensina a amar, não se ensina a ter saudades, não se ensina a chegar sem ter horas de partir. Isso sai-nos do coração, quando se gosta.
Não tenho dúvidas que gostes de mim, da ideia que eu te fiz ter do mundo; mas sei que gostar não basta. É preciso mais, é preciso crescer dentro de quatro paredes.

É emergente o fim, porque são dias e dias de uma desilusão disfarçada.

Prometo que te deixarei ficar bem nesta fotografia, e vou retratá-la pelos tempos; já passaram muitas horas e tu não voltaste. Confesso que a esperança ainda fluía dentro do meu coração.
Já passaram muitas horas e tu não vieste e poucas faltam para ires. Quando vieres, não podes pertencer à minha vida.

Vou ter saudades tuas, com certeza. Da tua frieza, do teu não compromisso, da tua alegria e das coisas mais idiotas que sabias de cor. Vou ter saudades deste curto espaço de tempo que me fez tentar encontrar o meio termo.

As probabilidades jogaram contra nós, venceram. A matemática, essa ganha sempre.

Divino será o amor... o meu,

domingo, 13 de março de 2016

Promises

Dá-nos o clique, apesar de sermos constantes pecadores no que toca à santidade do amor, o ser humano, mais especificamente a mulher, tem a ideia inata de se apaixonar.
Há quem diga que é preciso termos sorte, que "ás vezes" nos apaixonamos pelas pessoas certas e outras "vezes" caímos sem saber onde tropeçámos.
Eu cá tinha a ilusão de que só nos apaixonávamos realmente uma vez e que quando fosse seria por aquele, o tal, a perfeição no meio de todas as imperfeições.
Apaixonei-me por ti sem querer, depois de me ter apaixonado duas vezes; primeiro não vi nada em ti, depois vi que tinhas qualquer coisa e quando dei por mim estava a prometer mundos e fundos.
Acho que é isto que se faz quando o coração cega a realidade; tu nunca sentiste o mesmo; dizes-te realista, sabes as leis da gravidade e contas as probabilidades.
Eu sou de matemática mas contigo esqueci-me de todas as variáveis e covariáveis que nos levam a um modelo não significativo, que não pode nunca descrever uma vida.
Digo-te, com a maior das sinceridades que, não sei viver assim... Que me estou a desperdiçar ao teu lado, que eu preciso de amor, de carinho e que esse amor é um trabalho a tempo inteiro.
Eu não preciso de ser o teu part-time, preciso de ser a tua água e não, tu não precisas de ser a precariedade mas sim o sonho tornado realidade.
Digo-te, sentada na mesa de café que nos viu nascer das cinzas, que ficamos por aqui e que não vale a pena continuar numa situação com prazo de validade... A tua reacção é tão gelada como o tempo lá fora. Não sabes lidar com a verdade e eu entendo que não te posso continuar a ensinar nem a dar-te as dicas daquilo que deves fazer; não é esse o meu papel.
Dizes-me que não é um filme e que não estamos aqui para encarnar papeis e eu digo-te que todos nós temos o nosso lugar e temos que saber sair de cena quando o nosso nome já não aparece no guião.
Não sei qual é o teu problema e tento desvendar nas entrelinhas, visualizas tu a desilusão em que te tornaste e observas esse reflexo no meu olhar; prometes tu, agora, que vai ser diferente. Que vais mudar. Que te tornarás presente.
Cumpres os dados em 24h e depois esqueces-te porque não és assim; não é defeito, é quem tu és e eu não te posso mudar; isso não me é permitido.
Estar com alguém é precisar dessa pessoa, é querer ter perto mesmo que se aceite com cortesia quando não é possível; gostar é deixar uma mensagem de voz no telemóvel, contar cada segundo que falta até ao momento em que as duas almas finalmente se juntam no mundo físico.

Deixo-te, portanto, ficar com o sentimento de culpa de vez em quando. Tu agarras esse sentimento, compreendes, aceitas e esqueces depois.
Mantive-me agarrada a esta certeza momentânea de quer seria só um tempo, que serias quem eu estava à espera... À tanto tempo.
Isto não é amor, meu quase-amor. Isto é penar, cada um do seu lado. Eu a sofrer por não seres o que esperava e tu a sofreres por não corresponderes, por não conseguires e a arruinares o cérebro com induções de lembretes que te vou fazendo.
Tentas amanhã outra vez. Eu não te quero deixar tentar, quero deixar-te seguir porque de certeza que existe alguém que te vai aceitar como tu és e alguém que será o que preciso. Não vale a pena desperdiçarmos seres maravilhosos, como eu e tu, em protótipos de relações baseadas em desculpas que se vão acumulando na caixa de entrada.
Não estou na tua lista de prioridades, mas quando dizes que vives o momento deixa-me dizer-te que não, não é isso que tu fazes. Tu alastras situações, arrastas as tuas faltas e falhas e pedes-me que cale a sinceridade por momentos.
Não me calo, valorizo-me. Virar-te as costas agora não é o mais acertado, eu sei. Nunca vou saber o que seria se te tivesse deixado ficar, andar na minha vida. Não sei o que seria se te tivesse deixado ser quem és mas aprendi, uma vez com um velho amigo, que não se pode gostar assim. Não se pode enganar os sentimentos, não se pode calar a solidão com bocados de qualquer coisa.
Aprendi com um velho amigo, também, que não podemos fazer os outros seguir o caminho que nós queremos... Estamos a enganar a vida.

Ainda assim, sei que hoje vais ter uma boa desculpa. Terias até um olhar atencioso enquanto me pedirias mais uma vez desculpa mas a tua vida atarefada entre a universidade e o computador não permitem entradas abruptas e simplesmente tens o cérebro cheio de mais para tomar pílulas de saudade.
Sei que te vais lamentar, telefonar, perguntar como estou e talvez ver um filme durante a semana. Eu vou aceitar as desculpas e manter o combinado, tu vais desmarcar, combinar para outro dia e eu vou aceitar, como até aqui. Não minto, tento não chorar. Acumulo estes fracassos na minha vida e permito, com toda a idiotice que tenho em mim, que me continuem a tratar desta forma.

Olho para a janela, talvez esteja só cansada das promessas não cumpridas. Bates, constantemente, todos os recordes. Não te lamento, não tenho pena, tu vais ter alguém um dia por quem queiras lutar e com quem queiras realmente estar. Vais ter saudades dessa pessoa, vais roer-te por ela não poder estar aí agora. Vais enviar-lhe muitas mensagens, e dizer-lhe todos os dias como gostas dela. Vais ser feliz na falta de liberdade, acredita em mim. Vais sentir-te pleno mesmo que de vez em quando tenhas que te justificar. Sim, tu vais ser completamente feliz...
Eu sou a tua rampa de lançamento, ensinei-te o que precisavas de saber para poderes acompanhar alguém... Agora sou eu quem precisa de mais, muito mais.