Sinto que talvez seja a altura certa de resolver e fazer as pazes com o passado, apertar-lhe a mão e seguir a frente mas a verdade é que sei que o passado é muitas vezes forte de mais.
Queres voltar porque sou o teu falhanço pessoal, o teu erro, a pedra no teu sapato e como tu dizes, o amor da tua vida para sempre.
Na verdade, tenho muitas reticências quanto ao amor da tua vida, tu não podias ter feito aquilo ao amor da tua vida; ao amor da tua vida tu tratas como um jardim, e só queres que cresça. Pelo contrário, tu cortaste-me ainda assim acharias possível crescer comigo, envelhecer comigo.
Acredito, e sei, que comigo era tudo mais fácil; as discussões eram simples e o amor era um acontecimento certo. Voltávamos os dois, umas vezes eu, outras tu, era certeiro.
Não há nada que reste entre nós, nem o respeito, nem a amizade, perdeu-se tudo, ás seis da tarde de um dia qualquer à três anos atrás, não é justo que pretendas ou faças intenção de voltar.
Desejar-te boa sorte, uma vida como sempre sonhaste é o único argumento que o meu orgulho permite devolver.
Caí muito, bati com a cara, com as pernas, com as costas e voltei a subir para cair outras vez. subi, e caí vezes sem conta, agindo que cada queda era um novo começo. Escondi as cicatrizes, voltava a subir e a tocar contigo o céu; tarde ou cedo voltavas a tirar-me o tapete. Costumava ver o tempo passar pela tua janela, tentava soprar as sombras do nosso relacionamento e quanto mais via o mundo andar mais vontade tinha de perdoar e esquecer tudo. Olhava-te, com frequência, enquanto dormias; ás vezes odiava-te, questionava-me como é que tu poderias deitar, descansadamente, a cabeça na almofada e noutros tinha a certeza que era contigo que queria ficar e por muito que doesse, eu seguiria firme.
Mas não foi assim tão simples e há sempre um dia e uma hora, em que o corpo se cansa e a palavra desistir torna-se vocabulário essencial.
Tanta confusão, a certeza que merecia melhor, a indecisão de não saber que caminho escolher e o pronuncio de que não havia futuro. Foi difícil o último dia, o adeus final, o virar de costas sem intenção de voltar.
A ressaca do nosso amor levou anos a passar, levei anos a apagar-te do meu coração, a juntar os pedaços da minha vida. Hoje, e por culpa, única e exclusivamente, tua tenho uma atitude completamente incorrecta; desconfio do mundo, tento controlar quem está à minha volta, manipulo e testo; volto a manipular e a testar novamente e quanto tu me vens à mente, mais especificamente o mal que me fizeste, torno-me estupidamente arrogante. Sem sentimentos. Fria.
O tempo é valioso e tem sido ele a amenizar todas estas covariáveis e apesar de guardar muito do aconteceu entre nós, só para mim, vou tentando que quem esteja à minha volta saiba que o que passei foi grave para uma menina, que nada sabia sobre a selva das relações.