Fiquei à espera para ver, deixei as horas passar, deixei o mundo continuar a rodar e esperei sentada para ver se chegavas; olhei para a porta de meia em meia hora, respirei fundo sempre que não te via chegar a ti.
A confiança de te querer ver nos olhos desvaneceu-se com a certeza de que não estamos para o mesmo; não estamos preparados para que há de vir. O querer-te, nos meus braços, na minha alma, na minha vida vai diminuindo de intensidade enquanto os dias passam no calendário; sei que vamos ter que ter coragem. Acabar o que nunca começámos...
Sinto que precisas que eu comece o fim; sinto que te tirarei um peso de cima, és demasiado boa pessoa para seres cruel e ires embora.
E por isso lamento, por saber que por de trás de tantas manifestações de amor tenha que ser eu a olhar-te friamente; depois de te olhar sairei fora da zona de perigo, e quando já não te vir mais poderei chorar-te.
Chorar-te porque este fim é definitivo; és diferente de todos os outros por isso. Nunca mais te verei.
E sempre me disseram que quando se faz uma despedida é bom chorar, mesmo que ninguém possa saber o motivo.
Não consideres isto como uma desculpa para poder voltar atrás; não é do meu feitio voltar onde já fui infeliz. Isto é apenas o resultado das inequações.
Conhecerás assim o meu pior lado, aquele em que sou dura comigo e contigo; prometi que não voltaria a incomodar-te com os mesmos assuntos, nem a bater constantemente na mesma tecla. Eu cumpro promessas e se não posso discutir ou argumentar, entendo que o melhor é desistir.
Não se pede amor, sabias? Não se ensina a amar, não se ensina a ter saudades, não se ensina a chegar sem ter horas de partir. Isso sai-nos do coração, quando se gosta.
Não tenho dúvidas que gostes de mim, da ideia que eu te fiz ter do mundo; mas sei que gostar não basta. É preciso mais, é preciso crescer dentro de quatro paredes.
É emergente o fim, porque são dias e dias de uma desilusão disfarçada.
Prometo que te deixarei ficar bem nesta fotografia, e vou retratá-la pelos tempos; já passaram muitas horas e tu não voltaste. Confesso que a esperança ainda fluía dentro do meu coração.
Já passaram muitas horas e tu não vieste e poucas faltam para ires. Quando vieres, não podes pertencer à minha vida.
Vou ter saudades tuas, com certeza. Da tua frieza, do teu não compromisso, da tua alegria e das coisas mais idiotas que sabias de cor. Vou ter saudades deste curto espaço de tempo que me fez tentar encontrar o meio termo.
As probabilidades jogaram contra nós, venceram. A matemática, essa ganha sempre.
Divino será o amor... o meu,
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