terça-feira, 19 de abril de 2016

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Pedes-me para ter calma, dizendo e afirmado repetidamente que nem todos os homens são iguais. Pois eu ia jurar que sim, são todos iguais.
Quando comecei a crescer, queria acreditar que ia conhecer eventualmente o homem da minha vida; um príncipe encantado que iria fazer com que, finalmente, todas as peças encaixassem.
Enquanto olho para ti, e falas sobre o que sentes e não sentes, aquilo que fazes ou não podes fazer, vou vendo o filme atrás de ti. Confiar em ti é uma missão impossível e da qual não te posso por a par.
Dizer-te que não és digno da minha confiança, que te acho completamente indisponível e que és extremamente egoísta seria destruir-te e a minha função aqui não é essa.
Vou dizendo que tu és capaz, que tens muito futuro, e que és fantástico; ainda assim, não confio em ti.

Tenho a certeza que se te dissesse toda a verdade, tu não conseguirias viver com os segredos da minha vida; tu não sabes do que eu sou capaz, do que eu já subi e de onde eu já estive. Tu não sabes o que é viver nesta montanha russa entre a felicidade e a tristeza extrema e eu só sei viver assim.
Ontem, enquanto encarávamos a cidade de longe, quis contar-te tudo, voltar atrás 8 anos e explicar-te o quão perdidamente apaixonada já estive e que se aguentei tudo foi por esse amor inexplicável que senti.

Não, tu não és menos que ele. És diferente. Não te posso magoar da mesma forma.
Eu vivi na fronteira entre o amor e o ódio, onde tudo era possível; onde nada era pecado.
Na verdade, quando eu te digo que doeu muito, que passei por muito, é real mas ainda assim, eu fiz igual... Tão igual que não sei até que ponto sou diferente dele.
Esta situação está a correr mal no sentido em que se mantém, pelo menos da minha parte, as pequenas omissões por não me sentir segura. Acho que foi assim com ele... Quando deixei de me sentir segura, foi o fim, a subida à dança demoníaca de quem tem um vício. E eu tinha, e esse vício foi ele...

Hoje, se fechar os olhos, consigo voltar lá, a todas as lágrimas, ao desespero, à falta, ao riso, aos abraços e especialmente aos regressos... Os regressos tinham muito sabor, eu sabia esperar por ele, aceitando que a única experiência que conhecia era aquela.
Sinto que esta cidade me quis dar uma segunda oportunidade e eu não a soube aproveitar.
Tomei decisões importantes nas ultimas horas e eu não te vou deixar sair daqui com o argumento de que a culpa é minha. Da minha desconfiança, ciúme e até paranóia.
Vou deixar -te andar... Sem te preocupar, sem me preocupar. Falando, avaliando, vendo... Quando deres por ti, não vais saber como é que te conseguiste apaixonar outra vez, e depois vais aprender que eu não sou perfeita e que é importante manter os olhos abertos.
Na verdade, tenho a certeza que me vou lembrar de ti, para sempre, como a pessoa mais interessante e parecida comigo; não te vou ter para sempre, e vou tentando amenizar a exponencial de paixão que vou sentido por ti. Vou tentando jogar a lei do desapego que te vou pedindo para me ensinares e quando acordarmos vamos ver que aprendemos muito um com o outro.

Há dias em que não te sinto, há outros que te quero sentir por inteiro... Como te disse, esta minha mania de ter caprichos é um erro e uma armadilha em que vou caindo acompanhada. Nada imediato, nada como as histórias de encantar diziam. Temo que não sejas o meu príncipe, temo até que esses não existam. Voltei a fechar os olhos, voltei a culpá-lo por tudo isto, por mim, por ti, por nós. Culpo-o por não ter ficado, culpo-o por me ter feito apaixonar e agradece-lhe porque se não fosse tudo aquilo eu nunca teria encontrado alguém tão fascinante como tu e que me faz acreditar que é possível mesmo que não confie no teu coração.
E duvido que possa algum dia confiar... Mas tu não vais saber.

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