Eu sou uma daquelas mulheres que tem os seus objectivos mais ou menos definidos; não anseio por mais do que posso ter mas sou a culpada de muitos devaneios associados à forma de ser empírica das relações.
Falta-me capacidade para amar sem medida, talvez por já ter amado de mais; ontem enquanto discutia contigo lembrei-me de todos os passos que dei no passado.
Eu já estive muito apaixonada e gostava que tu soubesses que não é esse o sentimento que jogamos aqui; eu já me perdi de amores e já tentei encontrar significados para tudo. Já percorri todos os caminhos, já disse todas as frases e já cometi todos os erros típicos. Gostava que soubesses que não é disso que falamos aqui.
Ainda que já tenha vivido muitas situações distintas eu escolhi-te a ti. Escolhi que ficasses e escolhi passar horas contigo.
Escolhi-te para dizer olá e tive muito tempo a avaliar cada pedaço do teu ser; andei à tua procura e tive vinte e quatro anos sem ti. Conheci outros olhares, outros sabores, outros toques... Conheci a maturidade da idade adulta, a infantilidade do primeiro amor, o fim trágico mas o inicio de encantar foi contigo.
Quando te vi, pela primeira vez, nos corredores da universidade eu sabia que mais tarde ou mais cedo te ia ter para mim; foi uma questão de anos, enquanto o destino não nos decidiu cruzar eu fui caindo por aí, noutras casas, noutras vidas destruindo-me diariamente.
Na verdade, o mais caótico de tudo isto é que é perfeito para mim só que o ressentimento de portas passadas e fechadas é muito forte.
Desculpa se te comparo e desculpa se, inconscientemente, não sei aproveitar as asas que me dás todos os dias; a liberdade que me fazes ver e a forma dócil como pretendes que eu entenda que não é assim tão mau perder-me.
Talvez não seja para sempre, talvez nem sejas tu o pai dos meus filhos... Mas o quão deprimente pode ser esta ansiedade pelo futuro? De alguma forma eu e tu colidimos, foste o fim do principio. Salvaste-me de aguas tortas e de uma vida que não era para mim.
Obrigada
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