quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ink

Aceitar que não vai resultar não é tarefa fácil para a mulher apaixonada; para aquela que se digna a esperar, a acreditar e a ser mastro forte na tempestade.
Os dias passam e os segundos transmitem a certeza de que tenho que estar pronta para a derradeira chamada.
"Ana, ambos sabemos que isto não está a funcionar... Tu és uma rapariga impecável e o problema não és tu mas sim eu".
É mais uma queda, penso eu enquanto aceito que não há nada a fazer quando o jogo está perdido; não há palavras que se digam, não há gestos que se façam e no fim das contas resta voltar a colar os pedaços de coração.
Talvez devamos dar mais atenção ao nosso interior, ele tenta avisar-nos mas o amor é cego, surdo e mudo e a ânsia de ter um final feliz é mais forte do que todos os monstros reais que quebram a corda.
Eu avisei-te e avise-me, mutuamente... Sempre soube que os nossos mundos não se cruzavam e tentei, num dos dias que passámos juntos, dizer que o melhor seria ficarmos por aqui.
Perdi a coragem e não sei porque...O céu paro e eu achei que podia ser um sinal para eu ficar e, por um dia não fugir.
Hoje fujo, porque já te deixei tatuar; hoje fujo porque não há nada que eu saiba fazer melhor e enquanto aceito o fim do que começou pequenino acredito e sei que é por um bem maior.
Se não te tivesse deixado entrar nunca saberia o que serias para mim e chegaste até aqui com um motivo forte, fizeste-me ver que é possível recomeçar.
Apesar de não estarmos perdidos no mesmo chão, apesar de não encontrarmos as mesmas palavras sei que foi real e que pela primeira vez, em muitos anos, fui eu própria. Sem máscaras. Sem testes.
Fui eu e os meus medos; eu e as minhas ansiedades; eu e as minhas surpresas; fizeste-me recuar no tempo e só por isso já valeu a pena a queda livre.

Pode não haver lenha para arder mas eu sei que nos guardaremos mutuamente como algo que parecia ser o futuro e que se ficou num presente passado.
Guardo os coldplay e os livros; guardo a inteligência e as discussões sobre situações reais. Arrumo a mochila, arrumo a cabeça.

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